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Recebi interiormente a compreensão do que são as criaturas perante Deus. Imensa e incocebível é a Sua Majestade. E se condescende connosco com bondade é pelo abismo da Sua Misericórdia. Santa Faustina (Diário 1131)

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sexta-feira, 1 de junho de 2012

Vaticano e as cartas ''roubadas'': ''Um ato brutal'', afirma papa entristecido

   
"Os meus pais me ensinaram não só a não roubar, mas também a nunca aceitar coisas roubadas de outros". O arcebispo Angelo Becciu, sostituto e, portanto, o número dois da Secretaria de Estado, fala raramente, mas quando o faz é serenamente alheio aos véus da linguagem curial.

A reportagem é de Gian Guido Vecchi, publicada no jornal Corriere della Sera, 30-05-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

E a sua entrevista de primeira página inteira no L'Osservatore Romano, confiada ao diretor Giovanni Maria Vian, é direta e dura, e soa como a vontade de colocar os pontos nos "is" e remover qualquer justificação ideal aos "corvos", seis dias depois da prisão do mordomo de Bento XVI, Paolo Gabriele, em cuja casa encontraram caixas de documentos privados do pontífice e que será interrogado "no fim de semana ou no início da próxima", informa a Santa Sé.

O vice do cardeal Tarcisio Bertone rejeita como "deformada" a imagem de um Vaticano saturado de "lutas, venenos e suspeitas", mesmo que o seu próprio tom mostre como é forte a irritação na cúpula do Palácio Apostólico. Ele fala de "êxito positivo", embora "amargo", de uma investigação que procede "no respeito rigoroso às pessoas e aos procedimentos previstos pelas leis vaticanas".

Bento XVI está "entristecido", porque, "de acordo com o que se pôde apurar até agora, alguém próximo a ele parece ser responsável por comportamentos injustificáveis sob todos os aspectos". Certamente, "prevalece no papa a piedade pela pessoa envolvida". Mas "o fato é que o ato por ele sofrido é brutal", acrescenta: "Bento XVI viu publicadas cartas roubadas da sua casa". Assim, foi "violada a consciência" de quem as escreveu, "um ultraje vil à relação de confiança entre o papa e quem se dirige a ele, mesmo que fosse para expressar protestos em consciência".

Quanto à "publicação de cartas roubadas", é "um ato imoral de inaudita gravidade". O Sostituto não nomeia o livro Sua Santità de Gianluigi Nuzzi, mas a referência parece ser transparente quando ele convida os jornalistas a ter "um choque ético", isto é, "a coragem de um distanciamento claro da iniciativa de um de seus colegas que eu não hesito em definir como criminosa".

O essencial, porém, é quando o arcebispo Becciu fala de "governo central da Igreja": e contesta "a hipocrisia" de quem o descreve como "monárquico e absolutista", mas depois se "escandalizam" quando alguns escrevem ao papa e "expressam idéias ou mesmo lamentos sobre a organização do próprio governo".

Muitas das cartas publicadas "não revelam lutas ou vinganças, mas aquela liberdade de pensamento que, ao contrário, se critica a Igreja por não permitir", exclama: "Enfim, não somos múmias, e os diversos pontos de vista, até mesmo as avaliações contraditórias, são bastante normais. Se alguém se sente incompreendido tem todo o direito de se dirigir ao papa. Onde está o escândalo?".

Que na Igreja haja contestações à "governança" da Santa Sé, além disso, não é um mistério. Há desconforto no episcopado italiano, começando por cardeais como Bagnasco e Scola, e o arcebispo de Milão poderia falar sobre isso com o papa, quando, no fim de semana, ele irá à cidade para o encontro das famílias.

Resta a sensação de um fato "totalmente italiano", que "corre o risco de ser devastador para a Igreja nacional", suspira um prelado italiano do outro lado do Tibre. E bastaria o que o La Croix, o primeiro jornal católico francês, escrevia nessa terça-feira, a respeito da "mistura entre questões italianas e vaticanas": "46,4% das lideranças da Cúria e 40,7% dos seus subordinados diretos já são italianos . Os jogos de poder entre os clãs, as influências dos assuntos internos da Igreja italiana e das suas relações com o Estado ofuscam a missão universal da Santa Sé".

As investigações continuam, esperam-se outras prisões. O padre Federico Lombardi, nessa terça-feira, falou de uma "prova comprometedora para o papa e para a Cúria Romana": chegar "com passo firme" à "verdade" será o caminho para "merecer" aquela "confiança do povo de Deus" que "certamente o Santo Padre merece plenamente", mas "nós, seus colaboradores, devemos apoiar de modo adequado".

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