Recados para Orkut
Jesus, Eu Confio em Vós!
Eu vivia muitas vezes a paixão do Senhor no meu corpo, embora de forma invisível; alegrava-me com isso, por Jesus assim o desejar. Santa Faustina (Diário 46)

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sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

Açores: Padres diocesanos vão fazer Exercícios Espirituais de Santo Inácio de Loyola

28 Janeiro, 2019_1 Fevereiro, 2019 todo o dia

«Capazes de despertar para o verdadeiro discernimento pessoal e pastoral» – D. João Lavrador
Angra do Heroísmo, Açores, jan 2019 – O clero da Diocese de Angra vai reunir-se em retiro, em dois turnos, para fazer os Exercícios Espirituais de Santo Inácio de Loyola, orientados pelo sacerdote jesuíta Francisco Rodrigues.
“Iremos fazer a experiência dos Exercícios Espirituais de Santo Inácio que ajudarão a descobrimo-nos a nós mesmos e a penetrarmos na sabedoria divina, capazes de nos despertar para o verdadeiro discernimento pessoal e pastoral”, refere D. João Lavrador, numa carta ao seu clero diocesano.
Na informação divulgada pelo sítio online ‘Igreja Açores’, o bispo de Angra realça que a dinâmica proposta para o retiro do clero 2019, os Exercícios Espirituais, “exige” que cada um se disponha a realizá-los “em silêncio e a permanecer todo o tempo no local a eles destinados”.
Neste contexto, D. João Lavrador pede aos padres no Arquipélago dos Açores que participem no retiro com “verdadeiro espírito sacerdotal” e “desejosos de progredir na sua espiritualidade”, tão importante para si e para o seu ministério pastoral.
O primeiro turno de presbíteros vai reunir-se entre 28 de janeiro a 1 de fevereiro, no centro Pastoral Pio XII, em Ponta Delgada; o segundo turno junta-se entre 4 e 8 de fevereiro, na Casa de Retiros de Santa Catarina, em Angra do Heroísmo.
As inscrições, que terminam no próximo domingo, devem ser feitas na Cúria Diocesana de Angra, informa o sítio online ‘Igreja Açores’.
A Companhia de Jesus em Portugal explica que os Exercícios Espirituais do seu fundador são uma “experiência pessoal através da qual um grupo de pessoas se dispõe a estar com Deus num ambiente de silêncio” e, habitualmente, é uma experiência onde a pessoa “pode vir a encontrar aquilo que tanto procura”, como “sentido para os seus dias, serenidade, maior liberdade, paz, alegria de fundo, maior capacidade de servir e de se comprometer com a realidade”.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

Sem-abrigo: Comunidade Vida e Paz reforça respostas em tempo de «grande exposição ao frio»

Lisboa, 09 jan 2018 (Ecclesia) – A Câmara Municipal de Lisboa ativa hoje um plano de contingência a favor das pessoas em situação de sem-abrigo na cidade, devido ao frio, que conta com a participação da Comunidade Vida e Paz (CVP), cujo presidente apela à divulgação das medidas.
Em entrevista à Agência ECCLESIA, Henrique Joaquim realçou que a prioridade será “motivar as pessoas que infelizmente ainda estão na rua a acederem aos centros de alojamento abertos para o efeito, ou no mínimo a protegerem-se nalgumas das estações de metro que também vão estar disponíveis”.
O presidente da CVP, instituição particular de solidariedade social, tutelada pelo Patriarcado de Lisboa, lançou também um apelo a todas as pessoas da cidade, para que “se souberem ou conheçam alguém que esteja numa situação destas, de grande exposição ao frio, para que deem conta disso”, contactando a Comunidade Vida e Paz ou transmitindo essas indicações “diretamente para a autarquia”.
As informações serão depois encaminhadas para a rede de instituições envolvidas neste plano de contingência “e alguma das equipas de rua irá reforçar esse apoio, ou contactar a pessoa sem-abrigo em causa, caso ela não esteja já sinalizada”.
O Plano de Contingência para as Pessoas Sem-Abrigo Perante o Frio, da CM de Lisboa, é ativado esta quarta-feira a partir das 17h00, com a autarquia a abrir o Pavilhão Municipal do Casal Vistoso para as pessoas em situação de sem-abrigo poderem passar a noite e acederem a refeições quentes e a roupa mais adequada às baixas temperaturas que se estão a fazer sentir.
De acordo com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera, está previsto um agravamento das condições meteorológicas ao longo dos próximos dias, com as temperaturas a poderem descer até aos 5 graus negativos em várias regiões do país.
Até que seja desativada a fase amarela do plano de contingência municipal vão estar disponíveis também várias estações de metro, abertas 24 horas por dia, para que as pessoas em situação de sem-abrigo se possam abrigar de forma mais efetiva: as estações do Oriente, Saldanha, Intendente, Rossio e Santa Apolónia.
A Câmara Municipal de Lisboa tem ainda abertos vários centros de acolhimento temporário, geridos por instituições parcerias, como o Centro de Abrigo da Graça, da responsabilidade da Fundação AMI; o Centro de Alojamento do Beato, sob a responsabilidade da Associação Vitae; e o Centro de Alojamento de Xabregas, a cargo do Centro Social do Exército da Salvação.
Segundo Henrique Joaquim, a Comunidade Vida e Paz tem acompanhado atentamente, “ao longo das últimas semanas”, esta onda de frio e as suas consequências, sobretudo através do “reforço da distribuição de agasalhos e mantas, além das refeições, para as pessoas que acompanha todas as noites”.
Fundada em 1989, a CVP apoia diariamente cerca de 450 pessoas sem teto na cidade, sem esquecer também aquelas que têm habitação, mas que são afetadas por outras carências, económicas ou de saúde, por exemplo, mas fazendo dos sem-abrigo uma prioridade.
O ponto principal é sempre procurar dar a estas pessoas soluções que permitam que elas saiam da rua e possam voltar a ser inseridas na sociedade.
“O nosso papel é estar lá o mais possível, e o mais próximo possível em termos de relação, para que a pessoa de facto acredite que é viável reverter a sua situação, porque viver na rua é uma situação que não é digna para nenhum ser humano”, frisou Henrique Joaquim, que admitiu que “esta altura de tempo mais rigoroso é sempre um pretexto acrescido para tentar que as pessoas aceitem esta ajuda”.
Atualmente, o plano em rede da autarquia de Lisboa envolve 28 entidades parceiras e tem permitido promover vários projetos, em áreas com a saúde – com destaque para uma campanha de vacinação contra a gripe durante o mês de dezembro – e da habitação, com a criação de mais espaços e infraestruturas de apoio.
O primeiro programa terminou no final de 2018, mas o objetivo da autarquia lisboeta é investir nos próximos anos pelo menos mais 5 milhões de euros em várias respostas para os sem-abrigo.
“Este tem que ser o caminho, tem que ser um programa específico, com ações concretas e plurianual, tem que haver uma continuidade porque a pobreza por natureza é estrutural e não pode ser combatida conjunturalmente”, lembrou Henrique Joaquim, que considerou, no entanto, que é possível fazer mais.
Por exemplo ao nível do acompanhamento das pessoas sem-abrigo com doença mental associada, no plano dos alojamentos temporários e sobretudo no que toca ao acesso à habitação.
“A habitação é uma resposta crucial porque não ter uma morada é um constrangimento brutal no acesso a todos os outros serviços de proteção social. A Câmara de Lisboa quer diversificar no próximo ano este tipo de projetos e é nisso que vamos continuar ativamente a colaborar”, sustentou o presidente da Comunidade Vida e Paz.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

Évora: Natal desafia a «fazer nascer Jesus em tantos corações vazios e sem luz» – D. Francisco Senra Coelho

Évora, 19 dez 2018 – O arcebispo de Évora desafia toda a comunidade católica da região, nos seus leigos, sacerdotes e religiosos, a renovar neste Natal o seu sentido missionário para ajudar a “fazer nascer Jesus em tantos corações vazios e sem luz”.
“Na paz de Belém, em comunhão de corações, provemos o Amor de Deus, que o Emanuel nos mostra, e com este amor com que somos amados, amemos aqueles que são quotidianamente nossos próximos, fazendo, assim, acontecer Natal”, realça D. Francisco Senra Coelho.
Numa mensagem divulgada hoje, o arcebispo alentejano recorda o Ano Missionário que está a decorrer até outubro do próximo ano, organizado pela Conferência Episcopal Portuguesa.
Uma “convocatória” que segundo D. Francisco Senra Coelho, faz ainda mais sentido neste tempo, marcado pelo exemplo da “fidelidade incondicional” de Maria à Deus, pela “entrega radical” de São José “à missão atribuída pelo Altíssimo”, e pela “ternura daquela criança” que é Jesus.
“Em Belém, encontramo-nos com o primado absoluto de Deus, com a incondicional fidelidade à sua vontade, com a família que Deus constrói com os homens de longe e de perto, através da Família de Nazaré. Neste encontro com Belém, tornamo-nos Discípulos Missionários”, reforça o arcebispo de Évora.
D. Francisco Senra Coelho destaca depois a sua proximidade “a todos os sacerdotes, diáconos, consagrados e consagradas, seminaristas e famílias cristãs” e desafia-os a renovarem também consigo “o Sim à missão”.
O prelado mostra-se ainda apostado em estar neste Natal com “os que sofrem” para “com eles, partilhar a esperança de dias melhores”.
De modo especial “com os doentes, os sós, os que vivem momentos de carência, perca e abandono, os migrantes e os privados de liberdade”.
“A todos os que se sentem periferia social e existencial da sociedade e da Igreja e, por vós, elevo a minha oração a Deus e me empenho na edificação de um mundo humanizado”, conclui D. Francisco Senra Coelho.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

Família: Vaticano cria Observatório Internacional dedicado a esta «riqueza da sociedade»

Cidade do Vaticano, 07 dez 2018 
O Vaticano criou um novo Observatório Internacional para a Família, com o objetivo de avaliar e salientar o impacto que a família tem na formação e no desenvolvimento da sociedade.
O projeto, que nasceu de uma proposta do Pontifício Instituto Teológico “João Paulo II” para as Ciências o Matrimônio e a Família, conta neste momento com o envolvimento de 20 instituições académicas de 15 países, que vão fornecer dados recolhidos a nível nacional para alavancar todo este trabalho.
Para os próximos anos, está prevista a realização de um estudo sobre “o papel que as relações familiares desempenham na qualificação da condição de pobreza das pessoas”, tendo como base princípios como “os laços sociais, a coesão social e a solidariedade de proximidade”.
Esta pesquisa terá o seu principal enfoque no eixo família – pobreza e será dividida em dois relatórios a publicar posteriormente: ‘A família e a pobreza relacional’, em maio de 2020, e ‘A Família e a pobreza económica’, em maio de 2021.

A lista do novo Observatório Internacional para a Família, da Santa Sé, integra para já nações como Itália, Espanha, Finlândia, Eslováquia, República Checa, Estados Unidos da América, México, Argentina, Chile, Benim, Quénia e Hong Kong.
Na conferência de apresentação deste projeto, o presidente da Academia para a Vida, do Vaticano, salientou que “a família é uma riqueza da sociedade”, uma célula essencial para a preservação do tecido social.
“Num momento em que a sociedade se está a fragmentar, a família representa a base de tudo. Hoje o prémio Nobel da sustentabilidade deve ser dado às famílias”, defendeu D. Vincenzo Paglia.
O Observatório Internacional para a Família, da Santa Sé, conta também com o envolvimento da Universidade Católica da Múrcia, em Espanha, e do Centro Internacional de Estudos sobre a Família de Milão, em Itália.
“A nossa colaboração não será apenas feita a partir de realidades católicas, mas também com universidades de outras religiões, com organizações não governamentais, com a Cáritas Internacional e com várias realidades familiares”, explicou o diretor do Centro Internacional de Estudos sobre a Família de Milão, Francesco Belletti.
Apesar de já ter uma página online, em inglês, espanhol e italiano, o novo Observatório Internacional para a Família, do Vaticano, inicia oficialmente o seu trabalho em janeiro de 2019.

segunda-feira, 26 de novembro de 2018

Vaticano: Papa alerta para «doença» do consumismo

Cidade do Vaticano, 26 nov 2018  – O Papa Francisco alertou hoje no Vaticano para a “doença” do consumismo e disse que todos podem contrariar esta tendência da sociedade, com pequenos gestos de partilha para com os mais pobres.
“É uma doença grande, o consumismo, nos dias de hoje. Não digo que todos façamos isso, não, mas o consumismo, gastar mais do que o que precisamos, uma falta de austeridade de vida, tudo isto é inimigo da generosidade”, declarou, na homilia da Missa a que presidiu na Capela da Casa de Santa Marta, esta manhã.
Francisco sublinhou que a “generosidade material”, a ajuda aos necessitados, faz “alargar o coração”.
O Papa assinalou que, por causa das suas mensagens sobre ricos e pobres, alguém poderia “etiquetar” Cristo como “comunista”, mas descartou quaisquer intenção política por trás destas advertências.
“O Senhor, quando dizia essas coisas, sabia que por trás das riquezas havia sempre o espírito maligno: o senhor do mundo [referência ao diabo]”, observou, destacando que, segundo o Evangelho, “não se pode servir a dois senhores, servir Deus e servir as riquezas”.
A intervenção elencou “pequenas coisas” que todos podem fazer, como oferecer pares de sapatos ou peças de roupa que não usa ou só utiliza esporadicamente.
“É um modo de ser generoso, de dar o que temos, de compartilhar”, precisou o pontífice.
O Papa concluiu com uma oração, para que Deus liberte todos da dependência do gastar.
“Peçamos esta graça ao Senhor: a generosidade, que alarga o nosso coração e nos leva à magnanimidade”.
Após a Missa, o Papa Francisco presidiu a uma reunião dos chefes de dicastérios da Cúria Romana, informou o Vaticano, sem adiantar mais pormenores sobre o encontro.

sexta-feira, 26 de outubro de 2018

Portugal: Secretariado Nacional de Liturgia publicou «O Novo Testamento e a Ceia do Senhor»

“Não escrevi uma obra sobre a Eucaristia nas Escrituras, mas dediquei-me a sondar o Novo Testamento para ter um conhecimento direto das refeições de Jesus com os discípulos; ao mesmo tempo dei amplo espaço à Última ceia, que mereceu dois capítulos em seis”, explica Enrico Mazza.
“Os problemas históricos aqui estudados continuam como problemas atuais e o método científico usado tem por fim sublinhar a celebração da Eucaristia, cuja origem é a Última ceia, como sacramento da unidade da Igreja e «banquete escatológico da Sabedoria»”, refere o presidente da Comissão Episcopal da Liturgia e Espiritualidade.
Na informação enviada hoje à Agência ECCLESIA pelo SNL, D. José Cordeiro explica que o autor do livro ‘o Novo Testamento e a Ceia do Senhor’ parte da origem da celebração eucarística “seguindo o método histórico-crítico aprofunda os termos técnicos das ‘palavras interpretativas’, das ‘palavras consecratórias’ e das ‘palavras explicativas’, bem como a ‘instituição da Eucaristia’.
O também bispo de Bragança-Miranda afirma que a “vasta obra” do padre italiano Enrico Mazza testemunha um “imenso contributo” à história da Liturgia e à fé da Igreja com “luminosa clareza em relação à história da celebração da Eucaristia, o sacramento dos sacramentos”.
O autor explica que escreveu a monografia para acrescentar aos estudos sobre a Ceia do Senhor o tema das «Refeições com o Senhor» “um sector até agora muito negligenciado mesmo por quem se ocupa das origens da Eucaristia”.
“Não desvalorizei, portanto, de modo algum, a Última ceia, embora procurasse ter em consideração também as refeições de Jesus, dado que a refeição ritual dos discípulos, e da Igreja das origens, está em continuidade com este uso de se reunirem à volta da mesa de Jesus, juntamente com Ele. Foi nestas refeições que Ele manifestou a sua messianidade”, desenvolve na introdução do livro ‘o Novo Testamento e a Ceia do Senhor’.
O padre Enrico Mazza (Parma, 23 abril 1940) pertence à Diocese de Régio Emília-Guastala, em Itália, é professor de Liturgia e Teologia dos Sacramentos, no Instituto Teológico Interdiocesano de Régio Emília, desde 1968, e de História da Liturgia, na Universidade Católica do Sagrado Coração de Milão, desde 1987.

sexta-feira, 28 de setembro de 2018

Vaticano: Bispos da China são nomeados pelo Papa, não por Pequim, explica Francisco

Lisboa, 25 set 2018 (Ecclesia) – O Papa Francisco afirmou hoje que o recente acordo provisório entre a Santa Sé e a China representa um avanço, precisando que a nomeação de bispos é da sua exclusiva responsabilidade.
“Existe um diálogo sobre eventuais candidatos, estas coisas fazem-se em diálogo, mas quem nomeia é Roma, nomeia o Papa, isto é claro”, referiu, em conferência de imprensa, durante o voo de regresso ao Vaticano desde Talin, no final da viagem de quatro dias aos países bálticos.
Questionado sobre críticas surgidas por responsáveis da Igreja Católica na China, que consideram o acordo um desrespeito pela história das comunidades ‘escondidas’ – fiéis a Roma, fugindo ao controlo do regime comunista -, Francisco convidou a rezar “pelo sofrimento dos que não entendem ou que têm às costas muitos anos de clandestinidade”.
“Sabeis que, quando se faz um acordo de paz ou uma negociação, as duas partes perdem alguma coisa. É esta a lei: as duas partes. Avançamos. Aqui avançamos com dois passos em frente, um para trás”, referiu.
O acordo assinado no último sábado, sobre a nomeação de bispos para as comunidades católicas na China, permitiu que todos os prelados do país estejam agora em comunhão com o Papa.
“O acordo foi assinado por mim”, sublinhou Francisco, após um trabalho de mais de 10 anos, sem lugar a “improvisos”.
“Eu sou o responsável”, insistiu.
O Papa precisou que o processo decorre “há anos”, tendo como pano de fundo a nomeação dos bispos.
“O tempo de Deus é semelhante ao tempo chinês, lentamente… Isto é sabedoria, a sabedoria dos chineses”, observou.
O pontífice disse ter estudado a situação dos bispos, caso a caso, revelando que a o levantamento da excomunhão de oito bispos escolhidos por Pequim, sem aprovação pontifícia, no passado, foi uma decisão pessoal.
Os católicos que sofreram sob o regime comunista da China, acrescentou, “têm uma grande fé,
“Escrevem-me, fazem-me chegar mensagens para dizer que aquilo que a Santa Sé, aquilo que o Papa declara, é o que afirma Jesus”, relatou.
Francisco recordou aos jornalistas exemplos históricos como os padroados, quando “os reis de Portugal e Espanha nomeavam os bispos, o Papa apenas dava a jurisdição”, ou o caso do Império Austro-Húngaro.
“Eram outros tempos; graças a Deus, não se repetem”, realçou.
O Vaticano anunciou a 22 de setembro a assinatura de um “acordo provisório” entre a Santa Sé e Pequim, relativo à nomeação de bispos para as comunidades católicas na China, o primeiro do género assinado entre as duas partes.
“[O acordo] trata da nomeação dos bispos, questão de grande relevo para a vida da Igreja, e cria condições para uma mais ampla colaboração a nível bilateral”, precisa uma nota de imprensa, divulgada pelos serviços de informação do Vaticano.
As relações diplomáticas entre a China e a Santa Sé terminaram em 1951, após a expulsão de todos os missionários estrangeiros, muitos dos quais se refugiaram em Hong Kong, Macau e Taiwan.
Em 1952, o Papa Pio XII recusou a criação de uma Igreja chinesa, separada da Santa Sé [Associação Patriótica Chinesa, APC] e, em seguida, reconheceu formalmente a independência de Taiwan, onde o núncio apostólico (embaixador da Santa Sé) se estabeleceu depois da expulsão da China.
A APC seria criada em 1957 para evitar “interferências estrangeiras”, em especial da Santa Sé, e para assegurar que os católicos viviam em conformidade com as políticas do Estado, deixando assim na clandestinidade os fiéis que reconheciam a autoridade direta do Papa.
Pequim só reconhecia os bispos nomeados pela APC; os bispos nomeados diretamente pelo Vaticano foram, muitas vezes, perseguidos e presos pelas autoridades.

quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Vida Consagrada: Papa Francisco pediu aos Capuchinhos testemunho de «unidade, comunhão e diálogo»

Cidade do Vaticano, 14 set 2018 (Ecclesia) – O Papa Francisco disse hoje aos 250 participantes do Capítulo Geral da Ordem dos Frades Menores Capuchinhos, que recebeu em audiência, esta manhã, no Vaticano, que as pessoas precisam ser acolhidas, ouvidas e iluminadas com amor.
“Sejam mestres de oração e cultivem uma forte espiritualidade. Sejam testemunhas de unidade, comunhão e diálogo”, pediu o Papa, observando que a realidade atual mostra sinais de desconforto espiritual e moral.
Segundo o sítio online ‘Vatican News’, Francisco, lembrando os mártires e testemunhas da fé dos Frades Capuchinhos, afirmou que a santidade deles “confirma a fecundidade do carisma e os sinais da identidade” e exemplificou: “A consagração total a Deus até ao martírio; a vida simples entre as pessoas; a sensibilidade com os pobres; o acompanhamento espiritual, com proximidade e humildade.”
O Papa destacou que a “identidade carismática, enriquecida” pela variedade cultural da Ordem religiosa, é mais do que “válida e atraente, hoje, para os jovens”, que procuram “autenticidade e essencialidade”.
“Peço-lhes que não desanimem perante as dificuldades, como a diminuição do número dos Frades em determinadas áreas, mas renovem sempre a confiança e a esperança com a ajuda da graça de Deus”, disse aos frades da ordem religiosa que completou 490 anos, este ano.
A reunião magna dos Franciscanos Capuchinhos começou a 26 de agosto e termina este domingo, 16 de setembro, no Colégio Internacional São Lourenço de Brindes, em Roma.
Destaca-se a eleição do novo superior-geral para os próximos seis anos, o frade italiano Roberto Genuin, da Província italiana de Veneza, que substitui o suíço Mauro Jöhri que foi responsável pela Ordem nos últimos 12 anos (2006-2012 / 2012-2018).
Cerca de 10 mil Capuchinhos, presentes nos cinco continentes, foram representados por 188 capitulares que se dedicaram também ao documento ‘Ratio Formationis Ordinis’, para a formação a nível mundial.
“Vocês devem esforçar-se para viver as relações e as atividades religiosas com gratuidade, humildade e mansidão. Assim, poderão realizar, com gestos concretos e diários, o estilo próprio dos Frades ‘Menores’, que caracteriza os seguidores de Francisco de Assis”, salientou o Papa, divulga o sítio online ‘Vatican News’.
De Portugal estão a participar o superior provincial dos Capuchinhos, o frei Fernando Alberto Cabecinhas, o frei Luís Leitão, que representa os “irmãos não sacerdotes dos Capuchinhos de Espanha e Portugal”, e ainda se conta a presença de frei Fernando Ventura na equipa de tradutores.
‘Aprendei de mim… e encontrareis’ é o tema do 85.º Capítulo Geral dos Frades Menores Capuchinhos, que pode ser acompanhado online, e é amigo do ambiente, informam os religiosos que contabilizaram os custos da compra de materiais, papel, tinta e impressão e optaram por um “tablet” para cada capitular.

segunda-feira, 27 de agosto de 2018

Portugal: Curso de Missiologia qualifica os cristãos para a missão nas diversas realidades da Igreja

Lisboa, 27 ago 2018 – Os Institutos Missionários Ad Gentes promovem a partir de hoje o Curso de Missiologia, que corresponde ao primeiro ano do ciclo da proposta formativa para “todos os cristãos”, até 1 de setembro, no Seminário da Consolata, em Fátima.
“Tem ajudado a apurar a ideia que ser missionário é para todo o cristão, não é para aqueles que partem para os confins do mundo, outros continentes, para países de pobreza. Missionário é cada cristão”, afirma a irmã Célia Cabecinhas, em declarações à Agência ECCLESIA.
A religiosa das Irmãs Concepcionistas ao Serviço dos Pobres realça que o Curso de Missiologia promove o encontro de pessoas ao formar um “grupo heterogéneo” quanto à nacionalidade, a área do saber, o campo de missão, e “tem ajuda na conceção da identidade cristã”.
A formação para as pessoas que vão partir em missão “fundamenta o envio, a disponibilidade” e proporciona ao longo da semana o referido encontro com outros missionários “que já experimentaram ou se preparam” para essa experiência mas não é exclusivo para a missão Ad Gentes.
O pároco de Gondomar explica que a “primeira necessidade” para participar foi ser o diretor do Secretariado Diocesano das Missões da Diocese do Porto e depois de ter participado nas duas sessões revela que “já devia ter feito” há mais tempo e recomenda-o a todos.
“Reúne em si as duas vertentes: A intelectual, académica, mas também a experiencial, vivencial, de encontro com pessoas, culturas diferentes”, lembra o padre Alípio Barbosa que na formação para o sacerdócio “nunca” teve uma disciplina, “nem seminário de missiologia”.
Para o sacerdote “faz a diferença” perceber o espírito da missão ad gentes como elemento que “fecunda, dinamiza e estimula toda a vida da Igreja, da comunidade eclesial”.
“Ser batizada” foi o primeiro fator para Maria da Luz, da Diocese do Porto, participar no Curso de Missiologia, onde regressa este ano para terminar a formação.
“Foi muito bom porque foi enriquecedor, além de conhecer pessoas de outros países, outras culturas, houve troca, partilha”, lembra a leiga empenhada que sentiu “necessidade de saber mais e aprofundar conhecimentos” também para o acompanhamento que faz a dois grupos e como membro de um conselho paroquial e pastoral.
A edição deste ano vai ter como docentes o bispo de Lamego, D. António Couto, com o tema ‘A Missão em S. Paulo’, o padre e historiador David Sampaio, vai apresentar a ‘Evangelização na Época dos Descobrimentos’.
‘Interculturalidade’ é da responsabilidade de Diana de Vallescar Palanca, o jornalista Joaquim Franco dedica-se à ‘Missão e Comunicação’, uma unidade que aparece “este ano pela primeira vez”, e Teresa Messias, fala sobre ‘A Evangelização na Exortação Apostólica ‘A Alegria do Evangelho’’.
No último dia da formação, o próximo sábado, dia 1 de setembro, do programa constam uma Tertúlia Missionária, e o curso termina com a celebração da Eucaristia e a entrega de diplomas aos finalistas.
A irmã Célia Cabecinhas lembra que o Curso de Missiologia com “mais de 20 anos de história nunca se interrompeu” e tem sido uma experiência “de tal forma importante para a Igreja” que o tem “solicitado” com “os apelos” de se viver “em dinâmica missionária”.
A Conferência Episcopal Portuguesa convocou um Ano Missionário em todas as dioceses católicas do país, de outubro de 2018 a outubro de 2019, com a Nota Pastoral “Todos, Tudo e Sempre em Missão”, respondendo a uma iniciativa do Papa Francisco.
O diretor do Secretariado Diocesano das Missões do Porto destaca “o desafio” das paróquias retomarem o “espírito missionário” que, nas últimas décadas, se “foi perdendo”.
“O curso é um bom elemento”, acrescenta o padre Alípio Barbosa sobre a formação que começa hoje em Fátima promovida pelos Institutos Missionários Ad Gentes (IMAG), com o apoio das Obras Missionárias Pontifícias.

segunda-feira, 6 de agosto de 2018

Europa: Arcebispo de Sarajevo frisa urgência de salvaguardar as «raízes cristãs» do Velho Continente

 O arcebispo de Sarajevo, primaz da Igreja Católica na Bósnia-Herzegovina, salientou a importância de a Europa “cuidar das suas raízes cristãs, caso contrário continuará a temer o radicalismo”.
Em entrevista à Fundação Ajuda a Igreja que Sofre, enviada hoje à Agência ECCLESIA, D. Vinko Puljic aborda a realidade atual do seu país, “de onde se estima que emigrem todos os anos 10 mil católicos”.
“Desde o fim da guerra que a nossa pequena comunidade continua a diminuir todos os anos, por causa da desigualdade a nível político e jurídico. Alguns não encontram trabalho, outros, pelo contrário, têm um emprego mas já não conseguem viver num país onde não gozam dos mesmos direitos que os outros cidadãos”, conta o cardeal.
Atualmente, “os católicos são discriminados nas duas entidades instituídas pelos acordos de Dayton em 1995: na Federação croata-muçulmana, por não serem muçulmanos e na República sérvia da Bósnia-Herzegovina por serem maioritariamente de origem croata”.
Para D. Vinko Puljic, a responsabilidade deve recair na comunidade internacional, nas instâncias europeias, que “não oferecem aos católicos” da Bósnia “o mesmo apoio concedido a outros grupos”.
Daí que destaque a necessidade de a Europa partir de novo à “redescoberta das suas raízes cristãs”.
“Atualmente presta-se atenção apenas à parte material e ignora-se a dimensão espiritual do homem. A Europa deve aprender a cuidar das suas raízes cristãs, caso contrário, continuará a temer o radicalismo”.
A Bósnia-Herzegovina é uma das principais portas de entrada para o Islão na Europa, e é também uma nação marcada pela intolerância e repressão religiosa.
“Temos boas relações com os muçulmanos eslavos, mas é difícil dialogar com os islâmicos radicalizados provenientes do mundo árabe. Sobretudo porque, do ponto de vista político, eles ignoram a nossa presença”, salienta D. Vinko Puljic, para quem importa fortalecer as pontes de ligação entre estes dois mundos, no Velho Continente, para que possam viver pacificamente, lado a lado. Caso contrário será muito difícil.
“Infelizmente, a Europa não conhece bem o Islão e não entende o que significa viver lado a lado com o radicalismo islâmico”, complementa.

sábado, 21 de julho de 2018

Igreja: Papa pede anúncio do Evangelho «sem medo» e sem «excluir ninguém»


Osservatore Romano – Papa Francisco rodeado de crianças na sua visita às Filipinas, em janeiro de 2015
Cidade do Vaticano, 20 de jul 2018 (Ecclesia) – O Papa Francisco pediu hoje aos participantes na V Conferência sobre a Nova Evangelização, que decorre em Manila, nas Filipinas, um anúncio “sem repugnâncias e sem medo”, que não exclua ninguém.
“É vital que hoje a Igreja saia para anunciar o Evangelho a todos, em todos os lugares, em todas as ocasiões, sem demora, sem repugnâncias e sem medo”, porque “a alegria do Evangelho é para todo o povo, não se pode excluir ninguém”, afirmou o Papa, recordando a sua Exortação Apostólica «A Alegria do Evangelho».
Aos cerca de cinco mil participantes, Francisco exortou a “um discipulado e uma transformação missionária”, que tenha em conta não apenas o país mas o “vasto continente asiático e além”.
A V Conferência sobre a Nova Evangelização, decorre na capital filipina até ao próximo domingo, e nesta ocasião, durante a missa inaugural, o cardeal Luis Antonio Tagle, arcebispo local, manifestou a importância de um anúncio a partir da pessoa de Jesus.
“Trata-se de uma oportunidade para permanecer arraigados em Jesus”, indicou o cardeal Tagle, “Ele é o Evangelho em pessoa”.
A paróquia, educação, trabalho, família, juventude, média digitais e redes sociais, catequese, missão, novos ministérios são alguns dos temas que estão a ser abordados no encontro.

sexta-feira, 6 de julho de 2018

Eu renasci quando a minha filha foi batizada


"Se houvesse uma chance mínima de que o Batismo fosse um dom verdadeiro, por que negá-lo? O pai que ama os filhos procura o melhor para eles. E o que é melhor que a vida eterna?"

Precisamos apostar.
Quando a Francesca nasceu (dia 10/10/10, às 16:10), a minha conversão ainda me parecia impossível. Mas desde o primeiro instante em que a tive nos braços, era natural querer para ela o melhor. Começando pelo pai dela. Eu tinha que ser melhor do que eu mesmo.
Uma das primeiras coisas que estavam claras para mim era que… ela tinha que ser batizada.
Por causa dos estudos, é claro, mas também por causa da minha formação juvenil, entrei em contato com o esplendor do cristianismo antigo. Eu sabia que não havia como não existir verdade nele. E sabemos como são essas coisas: crescemos, presumimos que somos inteligentes, temos dúvidas, encontramos maus testemunhos e maus mestres, somos afetados por uma razão excludente, incapaz de conectar os aparentes paradoxos… E então…
Mas, graças a Deus, eu conservei um pouco de cérebro e de humildade: se houvesse pelo menos uma mísera chance em um milhão de que o Batismo fosse um dom verdadeiro, por que negá-lo à Francesca? No máximo, teria sido uma bobagem inofensiva.
Mas um pai que ama os filhos procura em primeiro lugar o melhor para eles. E o que poderia ser melhor que a vida eterna? Quem era eu para negar à minha filha o que poderia vir a ser o melhor?
Então, mesmo admitindo que isso me custou certo grau de humildade, decidi, em comum acordo com a mãe dela, que é hoje minha esposa, que a nossa filha seria batizada logo. Tão logo quanto possível.
E foi assim, como entendi depois, que eu próprio me vi batizado mais uma vez. Renascido! Hoje eu posso afirmar isso. De certo modo, renascemos com o batismo, mas também renascemos quando nos tornamos pais. E se renascemos quando os nossos filhos nascem, voltamos a renascer quando os nossos filhos renascem ao serem batizados. Isto é a fé: uma história de renascimentos.
Eu queria o melhor para ela e, certamente, um pai que não acredita em nada não é o melhor que uma criança poderia desejar. E era assim que eu estava: não acreditava em nada nem em ninguém. Nem sequer em mim mesmo.
E de novo: veja como é importante semear bem! Quando eu era criança, adolescente, tive vários bons mestres que plantaram boas sementes. Começando pelo meu pai.
Eu me lembrei também daquela passagem na qual Jesus promete todo o bem quando pedido em Seu nome (cf. Jo 14,13-14). E eu pedi. Não foi só a conversão que chegou. Chegou uma alegria completa, imerecida, esmagadora e inimaginável.
Precisamos apostar.
E é isso o que eu tenho que testemunhar.

terça-feira, 19 de junho de 2018

“Relatos de um Peregrino Russo”, um clássico da espiritualidade cristã

Nikolai Roerich Peregrino


"Mais que muitos romances, estudos e ensaios, ele revela o mistério do povo russo naquilo que há de mais secreto: suas crenças e sua fé"

O livro “Relatos de um Peregrino Russo” é um clássico da espiritualidade cristã oriental. Foi escrito por um monge russo anônimo, no século XIX, e conta a história de um homem que queria aprender a rezar. Esse homem ouviu, certa vez, que a Bíblia afirma que devemos “orar sem cessar“. Ele procurou muitos mestres, mas nenhum o satisfez. Até que encontrou um monge (“staretz”) que lhe ensinou a Oração de Jesus – a simples e profundamente reverente repetição do nome de Jesus. Foi a partir de então que a oração tomou conta da mente e do coração do peregrino buscador.

Sobre a Oração de Jesus

Ícone ressurreição
CC
A Oração de Jesus consiste em sentar-se no silêncio, aquietar a mente e dirigir a atenção ao coração, harmonizando corpo e alma mediante a sincronia entre a respiração e a meditativa repetição destas palavras:
“Senhor Jesus Cristo, tende piedade de mim”.
Esta simples e riquíssima tradição, focada em Jesus e na Sua misericórdia, conta com várias formas diferentes de fazer a mesma prece: “Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, tende piedade de mim, pecador!”; “Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, tende piedade de nós, pecadores!”; “Jesus Cristo, Filho de Deus, Senhor, tende piedade de nós, pecadores!”; “Senhor Jesus, misericórdia!”…
Um bispo ortodoxo descreve:
“A primeira parte, ‘Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus’, é dita enquanto se inspira; já a segunda, ‘tende piedade de mim, pecador’, enquanto se expira. Há outros métodos possíveis: a recitação também pode ser sincronizada com as batidas do coração”.
Como água em pedra dura, a repetição vai amolecendo o coração do peregrino, “aprofundando-se em sua carne”. Ele repete as palavras dezenas, centenas, milhares de vezes ao dia. E passa por vários estágios: do desconforto e da preguiça iniciais às primeiras sensações de calor no peito, a purificação vinda pelas lágrimas, o sentimento de união com o mundo, a abertura para a paz, até atingir a experiência do Amor Divino. Esse homem alcançou a oração contínua, aprendendo a “orar sem cessar“. Até durante o sono o nome de JESUS estava em seu coração.
Catecismo da Igreja Católica dedica alguns parágrafos à Oração de Jesus:
2667 – Esta invocação de fé tão simples foi desenvolvida na tradição da oração sob as mais variadas formas, tanto no Oriente como no Ocidente. A formulação mais habitual, transmitida pelos espirituais do Sinai, da Síria e de Athos, é a invocação: «Jesus, Cristo, Filho de Deus, Senhor, tende piedade de nós, pecadores!». Ela conjuga o hino cristológico de Fl 2, 6-11 com a invocação do publicano e dos mendigos da luz. Por ela, o coração sintoniza com a miséria dos homens e com a misericórdia do seu Salvador.
2668 – A invocação do santo Nome de Jesus é o caminho mais simples da oração contínua. Muitas vezes repetida por um coração humildemente atento, não se dispersa num «mar de palavras» (Mt 6, 7), mas «guarda a Palavra e produz fruto pela constância». E é possível «em todo o tempo», porque não constitui uma ocupação a par de outra, mas é a ocupação única, a de amar a Deus, que anima e transfigura toda a ação em Cristo Jesus.
Ícone transfiguração
Wikimedia Commons

Sobre o livro anônimo

Sobre o livro, eis alguns trechos da Introdução escrita por Jean Gauvaina uma edição de 1943:
Os “Relatos de um Peregrino Russo” permaneceram praticamente na obscuridade desde que apareceram pela primeira vez em Kazan, por volta de 1865, sob uma forma primitiva, cheia de erros. Demorou até 1884 para que fosse feita uma edição correta e acessível, mas, em pleno movimento socialista e naturalista, aquela edição não poderia mesmo ter tido grande repercussão. Foi só depois de 1920, quando o coração de certos emigrados russos sentiu a nostalgia da pátria, que surgiu a necessidade de uma nova edição e que começou a disseminar-se a obra.
De acordo com o prefácio da edição de 1884, o padre Paísius, abade do mosteiro de São Miguel Arcanjo, em Kazan, teria copiado o texto de um monge russo de Athos, cujo nome ignoramos. Numerosos indícios nos fazem crer que os relatos foram redigidos por um religioso depois de suas entrevistas com o peregrino. Esta hipótese, porém, não afeta o caráter de autenticidade do livro. O peregrino, simples camponês de 33 anos, só está familiarizado com o estilo oral e simples, que faz o encanto de seus relatos.
peregrino russo
CC
O peregrino faz o leitor penetrar no coração da vida russa, pouco depois da guerra da Crimeia e antes da abolição da escravatura, ou seja, entre 1856 e 1861. Por ele passam todos os personagens do romance russo: o príncipe que procura expiar a sua vida dissipada; o chefe do correio, beberrão e briguento; o escrivão da província, incrédulo e liberal. Os prisioneiros partem, em penosas etapas, para a Sibéria; os correios imperiais extenuam os seus cavalos na planície imensa; os desertores rondam pelas florestas longínquas; nobres, camponeses, funcionários, membros das seitas, professores e padres, toda essa antiga Rússia de estrutura rural ressuscita com seus defeitos — dos quais a embriaguez não é certamente o menor — e suas qualidades, entre as quais a mais bela é a caridade, o amor espiritual ao próximo, iluminado pelo amor de Deus. Ao redor, a terra da Rússia, planície imensa a perder de vista, florestas desertas, hospedarias à beira das estradas, igrejas pintadinhas de novo, com sinos que cintilam. Entretanto, o camponês não se detém jamais para descrever as aparências sensíveis. Cristão ortodoxo, ele está à procura da perfeição: a sua única preocupação é o Absoluto.

Sobre a busca espiritual do peregrino

Para guiá-lo em sua busca, o peregrino tem apenas dois livros: a Bíblia e uma coletânea de textos patrísticos, a Filocalia. Este nome é o único meio de se definir a escola à qual ele está ligado. Russo do século XIX, ele é um hesicasta – ou seja, um adepto do hesicasmo, palavra que evoca a calma, o silêncio, a contemplação, e que remonta aos primeiros séculos cristãos, com origens no Monte Sinai e no deserto do Egito. É uma corrente mística que se opõe à tradição puramente ascética. Ela considera que a natureza humana é boa, mas deformada pelo pecado, e que o caminho da salvação consiste em devolvê-la à sua virtude primitiva, restabelecendo no homem, que é a imagem de Deus, a semelhança divina, por obra da graça. Sob a ação da graça e libertado das paixões pela ascese, o espírito se eleva para contemplar as razões das coisas criadas, chegando, às vezes, até a chamada “nuvem luminosa”: a contemplação obscura da Santíssima Trindade.
Trindade ícone de Rublev
Public Domain via WikiPedia
Para fixar o espírito nas realidades invisíveis, alguns místicos adotaram processos técnicos como a repetição frequente de uma curta oração: o Kyrie Eleison. Os católicos, familiarizados com o terço, não estranhariam essa modalidade. A ideia de uma participação do corpo na vida espiritual, ligada ao dogma da ressurreição futura, é profundamente cristã.

O desafio de ir além de uma doutrina deturpada

A partir do século XI, essa doutrina tende a corromper-se, atribuindo um valor exagerado às visões e revelações sensíveis. A procura dessas “iluminações” leva a desprezar a prática ascética e a buscar meios considerados mais “curtos e eficazes” para chegar às visões. Com isso, dá-se atenção demasiada aos processos corporais, à postura do corpo, ao papel do coração na oração. O hesicasta do século XIV espera chegar à salvação “sem esforço e sem dor”, esquecendo que, na vida espiritual, tudo é graça e ninguém pode dizer “Jesus é o Senhor” a não ser no Espírito Santo (1 Cor 12,3).
O peregrino encontra a doutrina do hesicasmo já assim deformada pelos séculos – mas a sua espiritualidade é pura. O ascetismo quase espontâneo da sua vida não deixa de servir-lhe de guarda. Andando sempre de um lugar para outro, não tendo sequer uma pedra onde repousar a cabeça, a oração perpétua é para ele, antes de tudo, um meio para fixar a atenção sobre o mistério da fé e fazer a alma voltar-se para si mesma. Seu espírito permanece sempre ativo e sua fé é iluminada por uma busca ardente e sincera.
Public domain
A fé do peregrino não é mera emoção diante de mistérios de poesia: ela se alimenta de ensinamentos teológicos. Ele oferece conselhos técnicos e explicações da doutrina, e não exortações generosas e vagas. Conhecendo o homem à luz de Deus, ele conhece também seu lugar e seu papel no universo. A moral do peregrino não é um conjunto de regras que um dia aprendeu, nem apenas uma higiene interior: todas as suas ações são orientadas pelo desejo de perfeição espiritual. O ascetismo, assim, é condição de contemplação: não tem sentido em si mesmo. A vida espiritual retoma então a sua unidade. Da fé procedem as obras, mas, sem as obras, não há fé. Vindo do mundo da queda, da ignorância e da fraqueza, o peregrino caminha para a nova Jerusalém, na qual entrará por inteiro, de corpo e alma, na consumação dos séculos.
Esse otimismo que liberta é a tendência profunda do cristianismo: a criação é boa e, depois da queda, deve ser englobada inteiramente na via da salvação.

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