Recados para Orkut
Jesus, Eu Confio em Vós!
Não há uma só alma que não esteja obrigada a rezar, pois é pela oração que cada uma das graças lhe advém. Santa Faustina (Diário 146)

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sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Se te acontecer de perder Jesus…

O encontro com Deus não é estático, mas dinâmico e, por isso mesmo, sempre novo

Oração é busca de Deus. Porém, nem sempre é fácil encontrá-lo ou reconhecê-lo entre nós.
Deus entra na nossa história e mistura-se conosco. O Verbo se fez carne de forma muito humilde, simples e pobre, totalmente despretensiosa. Enquanto as filhas dos nobres preparavam seus castelos para receberem o Messias, Ele preferiu nascer pobre, num estábulo, desprovido da exuberância e do perfume do palácio dos reis. Assim foi, e embora muitos judeus esperassem grandes manifestações na vinda do Messias, Ele veio discreta e silenciosamente.
Às vezes não encontramos Deus porque Ele não se revela como gostaríamos. Ele exige de nós uma total purificação do nosso ser. É necessário esvaziar-se para poder ser preenchido pela sua força. A exigência da oração é o total desapego, somente assim somos inundados por aquela luz especial que possuem apenas os que procuram o rosto de Deus “com ânsias de amor inflamado”: “Tua face, Senhor, eu busco…não me escondas o teu rosto!”…
Minha experiência pessoal revela – e os outros me confirmam – que o encontro com Deus não é estático, mas dinâmico e, por isso mesmo, sempre novo. Quando pensamos que o encontramos e “agarramos”, Ele “escapa”, se esconde e nos deixa num profundo sentido de desolação e de noite. É o caminho da noite que precisamos aprender a trilhar silenciosamente e a sós, esperando que o Senhor apareça novamente quando lhe aprouver. A nós cabe gritar e procurar, a Ele cabe responder. A saudade de Deus é uma doença tão forte que somente se cura “com sua presença e figura”.
Saber esperar
Atualmente não sabemos esperar. O mundo da tecnologia gera a impaciência. Queremos que tudo seja “para ontem”, esquecemos que existe também o amanhã… O saber esperar é uma atitude bíblica.
No caminho da oração, saber esperar o momento de Deus quer dizer que Ele nos visita quando menos esperamos e que a nós cabe a vigilância, como virtude de quem sabe que, mais cedo ou mais tarde, Ele virá nos visitar.
Na escola dos profetas e dos místicos, aprendemos a virtude da esperança. As demoras de Deus são pedagógicas. O orante é, antes de mais nada, homem e mulher de esperança, que não se cansa de bater até que a porta se abra, nem de procurar até que encontre, nem de pedir até que obtenha o que mais deseja.
Esperar é lançar os olhos além de todos os pequenos horizontes da vida e crer que o Senhor da história nos prova, mas não nos abandona. Ele quer que o procuremos com a intensidade da esposa que busca o seu esposo, como os olhos dos servos que esperam tudo do seu Senhor.
O salmista anima: “Coragem! Espera no Senhor!” (Sl 26). Nesta coragem são superados os medos e as incertezas da fé. A esperança é alimentada pelo amor. Só espera quem tem fé e quem ama. A vivência das virtudes teologais se faz indispensável para quem quer se tornar um orante. Deus não se deixa manipular pelos nossos sentimentos ou exigências humanas; Ele sabe como e quando vir em nosso socorro.
Ir a Jerusalém
A Palavra de Deus sempre nos ensina o caminho da oração. Na vivência da Palavra e na sua meditação encontramos o caminho que devemos seguir para encontrar o Senhor. O texto de Lucas 2,41-50 ajuda-me na busca de Deus. Sempre encontro o Senhor em Jerusalém, na “cidade santa”, que não fica em determinado lugar, mas no coração de cada um de nós.
Somos a nova Jerusalém aonde devemos ir todos os dias para estar com o Senhor. Ir a Jerusalém quer dizer que é preciso desinstalar-se, sair de si, romper com todas as formas de comodismo e, sem medo, enfrentar todas as dificuldades que podem estar no caminho. Quem se coloca a caminho é movido por um forte ideal. Orar é “subir a Jerusalém”, tomar uma “determinada determinação”, saber que “vida cômoda e oração não podem combinar”, que somente o amor pode nos convencer a deixar a vida tranquila do nosso dia-a-dia e procurar o Senhor que nos espera para nos amar.
Maria, José e Jesus todos os anos deixavam a tranquilidade de sua casa em Nazaré, enfrentavam as dificuldades do caminho, pobreza, cansaço, para irem a Jerusalém prestar a adoração devida ao Senhor. Um caminho que tem o sabor do êxodo, carregado sem dúvida de dor e cruz. Mas eles sabiam que, no Templo de Jerusalém, o Senhor os esperava. A leitura silenciosa e meditativa deste texto nos faz compreender como deve ser o caminho da nossa oração.
Jesus aos doze anos no Templo
“Todos os anos, na festa da Páscoa, seus pais iam a Jerusalém. Quando Ele completou doze anos, subiram a Jerusalém segundo o costume da festa. Acabados os dias de festa, quando voltaram, o menino Jesus ficou em Jerusalém, sem que os pais o percebessem. Pensando que estivesse na caravana, andaram o caminho de um dia e o procuraram entre os parentes e conhecidos. Não o achando, voltaram a Jerusalém à procura dele. Três dias depois o encontraram no Templo, sentado no meio dos doutores, ouvindo e fazendo perguntas. Todos que o escutavam maravilhavam-se de sua inteligência e de suas respostas.
Quando o viram, ficaram admirados e sua mãe lhe disse: ‘Filho, por que agiste assim conosco? Teu pai e eu, aflitos, te procurávamos’. Ele respondeu-lhes: ‘Por que me procuráveis? Não sabíeis que eu devia estar na casa do meu Pai?’ Eles não entenderam o que lhes dizia. Depois desceu com eles e foi para Nazaré, e lhes era submisso. Sua mãe conservava a lembrança de tudo isso no coração. Jesus crescia em sabedoria, idade e graça diante de Deus e das pessoas”.
Coloquemos em evidência alguns aspectos concretos para a nossa vida de oração:
Passados os dias da páscoa voltaram…
A oração é um momento de alegria, de páscoa, de festa. Mas não pode durar para sempre. Deus nos chama à intimidade com Ele, convida-nos a subir a montanha para experimentarmos sua presença, ou ao deserto porque quer falar ao nosso coração no amor e na solidão, ou nos desperta na noite para dialogar conosco e nos apresentar os seus projetos. Mas, depois desses momentos de intimidade, Ele quer que voltemos às nossas atividades e sejamos testemunhas autênticas do seu amor.
A fidelidade e firmeza do orante não se prova enquanto ele está orando, mas no cotidiano da vida. É sua maneira de agir, de falar, de ser que torna visível sua amizade com Deus. É interessante como na Bíblia temos sempre esta atitude da intimidade com Deus que dá forças para voltar aos nossos compromissos humanos. Cada vez mais compreendo que entre oração e ação, entre contemplação e atividade não pode existir “divórcio nem desquite”, mas, ao contrário, uma profunda união. Na oração se revela a nossa atividade e na atividade se manifesta a autenticidade da nossa oração.
Maria, José e Jesus não ficaram para sempre no Templo. Depois da festa da páscoa puseram-se novamente a caminho… Assim, depois de nossos momentos de oração, de retiro, de encontro, devemos voltar ao trabalho. Toda páscoa, que é domingo, devolve-nos à “segunda-feira”, que é trabalho e labuta onde devemos procurar ser fermento e ganhar o pão com o suor da nossa fronte.
O menino ficou em Jerusalém “sem que os seus o notassem”
Esta expressão de Lucas pode nos ajudar a entender como, embora voltando ao trabalho, devemos permanecer unidos ao Senhor na oração. A intimidade, a vida na presença de Deus nunca pode ser interrompida. Quer comamos, bebamos ou façamos outras coisas, sempre devemos agir em Deus.
Maria e José retomaram o caminho de volta, quem sabe preocupados com os afazeres que os esperavam em Nazaré, mas Jesus permaneceu em Jerusalém. Nunca devemos “sair” do clima de contemplação e de intimidade. Deus quer que estejamos constantemente unidos a Ele, que não nos separemos do seu amor e da sua presença. Esta linguagem bíblica nos compromete à vivência sempre em plena sintonia com o Deus da vida. Os místicos e os santos sempre nos recordam isto. João evangelista, quando diz que “Deus é amor”, convida-nos a permanecermos nele porque Ele sempre permanece em nós.
Maria e José não se preocuparam com Jesus. Pensavam que Ele estivesse com os outros, na caravana que voltava feliz e cantando de Jerusalém. A páscoa cria um novo clima de fraternidade, “caminharam um dia inteiro” despreocupados. Mas ao entardecer sentem a necessidade de se unirem novamente a Jesus. Também nós passamos o dia inteiro preocupados com tantas coisas, mas ao cair da noite sentimos a necessidade de buscar novamente o Senhor para estar com Ele, para entrar em comunhão, para experimentar numa forma mais forte a presença do amado, como fizeram Maria e José, mas nem sempre o encontramos…
Não o tendo encontrado…
A dor da decepção é sempre muito grande. Esta dor foi experimentada por Maria e José que, buscando Jesus, não o encontram entre os amigos e parentes. Se eles, que cuidavam tanto de Jesus, estavam sempre presentes em tudo aos desejos e ao cuidado de Jesus, o perderam de vista, tanto mais isto pode acontecer com cada um de nós. Podemos buscar Jesus e não encontrá-lo, pedir que outros nos ajudem e ninguém saber nos ajudar. Podemos viver momentos de desnorteamento nesta procura de Jesus. A experiência humana da nossa fragilidade nos faz sentir impotentes e tristes. Nem sempre encontramos Jesus onde “esperamos que Ele esteja”. Mas, graças a esta perda de Jesus, a Bíblia nos oferece o segredo onde devemos voltar a encontrá-lo, onde Ele sempre nos espera.
Voltaram a Jerusalém
Aqui está o verdadeiro segredo da oração: Voltar a Jerusalém. Se nos acontecer, depois de um dia de viagem, de “perdermos Jesus”, não devemos desesperar. Devemos pedir a todos que nos ajudem a encontrar novamente o Senhor…As pessoas, a criação ou, como canta João da Cruz:
Pastores que subirdes
Além, pelas malhadas, ao Outeiro,
Se, porventura, virdes
Aquele a quem mais quero,
Dizei-lhe que adoeço, peno e morro.
Mas, se as criaturas forem incapazes de nos dizer onde está o Senhor, resta-nos o caminho de volta para Jerusalém, para o santuário, para o lugar onde o Senhor nos espera.
E onde está Jerusalém? No nosso coração, na Palavra de Deus, na Igreja… Deus jamais desiste de nós, mesmo quando não o sentimos.
Voltar a Jerusalém, onde o Senhor nos espera sempre para novamente entrar em comunhão conosco! Ele quer que saibamos buscá-lo no amor e na fé. Quando o encontramos, Ele desce conosco para Nazaré, para a vida, e permanece conosco para sempre.
Por Frei Patrício Sciadini, OCD

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Incêndios: Jovens ligados aos Jesuítas vão ajudar a reconstruir áreas ardidas em Pedrógão Grande

Missão «Aqui e Agora» arranca em novembro

Lisboa, 18 out 2017 (Ecclesia) - Um grupo de jovens ligados aos Jesuítas vai começar em novembro a dedicar dois fins-de-semana por mês ao apoio e reconstrução das áreas consumidas pelo fogo de Pedrógão Grande.
“A Missão Aqui e Agora arranca já no primeiro fim-de-semana de novembro para Castanheira de Pêra, onde irá colaborar com a organização Médicos do Mundo, a quem foi confiada a ajuda humanitária às populações deste concelho, um dos mais atingidos pelo fogo de junho”, assinala um comunicado da Companhia de Jesus enviado à Agência ECCLESIA.
O projeto “ assegura a continuidade” de um trabalho que começou no último verão.
A Missão Aqui e Agora nasceu em julho, por iniciativa de um grupo de jovens ligados ao Centro Universitário Padre António Vieira (CUPAV), jesuítas em Lisboa, que durante duas semanas levou dezenas de jovens a colaborar na organização e distribuição de roupas e alimentos doados, na limpeza de escombros e na replantação de áreas ardidas.
"Ao terminar a Missão no verão ficou o desejo, em muitos voluntários, de voltar (e muitos já voltaram!) e em mim a certeza de que não podíamos deixar esquecidas estas pessoas e abandonar um trabalho que leva tempo a ser realizado", explica Francisca Onofre, uma das impulsionadoras desta missão.
Tal como no verão, a Missão ‘Aqui e Agora’ vai trabalhar diretamente com os Médicos do Mundo.
“No primeiro e quarto fim-de-semana de cada mês, de novembro a junho, os jovens estarão em Castanheira de Pêra (cada jovem estará um fim de semana por mês) para apoiar os trabalhos de reconstrução”, adianta o comunicado dos Jesuítas.
A missão destina-se preferencialmente a jovens em idade universitária ou início de vida adulta (entre os 18 e os 30 anos).
A primeira sessão de apresentação da Missão ‘Aqui e Agora’ vai decorrer esta quinta-feira, às 21h15 no CUPAV, em Lisboa; o Centro de Reflexão e Encontro Universitário - Inácio de Loyola (CREU-IL), no Porto, acolhe outra sessão, na sexta-feira.

domingo, 20 de agosto de 2017

Santa Helena, a mulher que encontrou a Cruz de Cristo


Ela é mãe de Constantino, o primeiro imperador romano a se converter ao cristianismo

No dia 3 de maio, a Igreja católica celebra a data em que Santa Helena encontrou a Santa Cruz de Cristo. Trata-se de uma celebração simbólica, porque existem controvérsias quanto à data histórica exata em que foi de fato identificada a “Vera Cruz“, como foi chamada a verdadeira Cruz em que Jesus foi morto no Gólgota.
As buscas que culminaram no encontro da Santa Cruz tinham sido promovidas com grande empenho por Santa Helena, a mãe de Constantino, o primeiro imperador romano a se converter ao cristianismo.
Devemos começar o relato falando dessa conversão. Ao pôr-do-sol de 27 de outubro do ano de 312, Constantino tinha visto no céu, na Ponte Mílvio, as letras X (khi) e P (rho) do alfabeto grego, e, junto com elas, uma cruz com a seguinte inscrição em latim: “In hoc signo vinces” (“Com este sinal vencerás“). Tratava-se de dois símbolos cristãos – a cruz e as letras X e P, pronunciadas respectivamente “kh” e “r”, que são as duas primeiras letras do nome de Cristo em grego.
Constantino mandou gravar o símbolo nos escudos dos soldados e, ao dia seguinte, dia da batalha, derrotou Maxêncio e se tornou o único imperador no Ocidente. Foi Constantino quem promulgou o Edito de Milão, em 313, tornando legal em todo o império o cristianismo que até então era clandestino e perseguido. E foi ele, também, quem construiu a nova capital cristã do império: Constantinopla, inaugurada no ano 328.
Voltemos então a Santa Helena:
Após aquela insigne vitória de Constantino sobre Maxêncio, quando ele recebeu de Deus o sinal da Cruz do Senhor (“In hoc signo vinces“), Santa Helena, sua mãe, foi a Jerusalém para procurar a Cruz de Cristo.
Segundo o breviário romano:
Lá cuidou ela de destruir a imagem de Vênus, em mármore, que, para apagar a memória da Paixão de Cristo Senhor, os gentios haviam colocado no lugar da Cruz e que ali permanecera durante cerca de 180 anos. O mesmo ela fez no presépio do Salvador, onde fora posto um simulacro de Adônis, e no lugar da ressurreição, onde haviam colocado um de Júpiter.
Purgado, assim, o local da Cruz, foram encontradas depois de profundas escavações três cruzes, e, à parte delas, a inscrição que havia sido posta sobre a Cruz do Senhor. Como não se sabia sobre qual das três ele deveria ser afixado, um milagre sanou a dúvida. Eis que Macário, bispo de Jerusalém, tendo elevado preces a Deus, levou cada uma das cruzes a três mulheres que sofriam de grave enfermidade, e, enquanto as demais de nada serviram às mulheres, a terceira Cruz, levada à terceira mulher, curou-a imediatamente.
Public Domain
Santa Helena, tendo encontrado a Cruz da salvação, construiu ali uma igreja magnificentíssima, na qual depositou parte da Cruz em urnas de prata, entregando outra parte a seu filho, Constantino, que a levou a Roma, à igreja da Santa Cruz de Jerusalém. Ela também entregou ao filho os cravos que trespassaram o Santíssimo Corpo de Jesus Cristo. Naquele tempo, Constantino sancionou uma lei para que, desde então, ninguém fosse condenado ao suplício da cruz, e aquilo que antes era castigo e maldição para os homens passou a ser glória e objeto de veneração.
Santa Helena é celebrada pela Igreja no dia 18 de agosto.

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Incêndios: Cáritas Diocesana de Coimbra elenca 66 casas para reconstrução total ou parcial

Foto: Cáritas de Coimbra


Coimbra, 24 jul 2017  – A Cáritas Diocesana de Coimbra informou hoje que 66 casas de primeira habitação precisam de “reconstrução total ou parcial”, na sequência dos fogos que deflagraram a 17 de junho, em Pedrógão Grande.
Organização católica passa à fase de apoio e reconstrução

“O conjunto das listagens confiadas à Cáritas de Coimbra totaliza 66 habitações distribuídas por 6 concelhos - 23 em Castanheira de Pêra, 19 em Pedrógão Grande, 3 na Pampilhosa da Serra, 10 na Sertã, 1 em Penela e 10 em Góis”, contabiliza a instituição católica, em nota enviada à Agência ECCLESIA.
A Cáritas Diocesana de Coimbra explica que durante esta semana vai avaliar cada um dos “enquadramentos para definir o seu compromisso”.
O 5.º report da Ação Cáritas enviado hoje à Agência ECCLESIA afirma que “é a hora da responsabilidade”, é tempo de iniciar “a reconstrução de casas, de vidas e comunidades”.
No final da quinta semana desde os incêndios que afetaram a região, a instituição registou 53 240 produtos angariados e foram entregues às famílias “8485 bens”.
Os donativos em numerário, contabilizados, atingem 1,69 milhões de euros.
“Na quinta semana foram atribuídas à Cáritas de Coimbra as primeiras 14 habitações com intervenção de escassa relevância no Concelho de Castanheira de Pêra, tendo sido visitadas no dia 20 de julho para aferir o compromisso Cáritas: todas foram aceites em compromisso”, acrescenta a nota de imprensa.
A Cáritas diocesana vai permanecer no terreno com os seus técnicos para “dar continuidade à fase de apoio”, e exemplifica que na última semana alguns voluntários fizeram também limpezas nas habitações, plantação de árvores e hortas.
A equipa de logística vai prestar apoio no centro paroquial a partir de agora às segundas-feiras, e “sempre que necessário”, para receber “donativos ou para entregar apoios sinalizados” pela equipa no terreno.

sexta-feira, 9 de junho de 2017

O jihadista não conseguiu me degolar: “Quem é você? Eu não consigo mexer o facão!”

O arrepiante relato do padre franciscano Abuna Nirwan no Iraque

Ope. Abuna Nirwan é um franciscano que nasceu no Iraque e, antes de ser ordenado sacerdote, estudou medicina. Foi destinado à Terra Santa e, em 2004, ganhou das Irmãs Dominicanas do Rosário uma relíquia da sua fundadora e um terço usado por ela. O padre passou a trazer a relíquia e o rosário sempre consigo.
A fundadora em questão é Santa Marie Alphonsine Danil Ghattas, cristã palestina canonizada em 2015 pelo Papa Francisco. Em 2009, quando o Papa Bento XVI aprovou o milagre para a sua beatificação, a Santa Sé pediu a exumação do corpo da religiosa. Esta missão costuma caber ao bispo local, que, para realizá-la, designa um médico. E esse médico foi justamente o padre Abuna Nirwan.
Em 2004, a relíquia e o rosário… Em 2009, a exumação… E esses dois fatos extraordinários não foram os únicos que ligaram o padre Nirwan àquela santa fundadora.
Dois anos antes da aprovação do Papa Bento à beatificação da religiosa, mais um fato simplesmente arrepiante envolvendo o pe. Nirwan e a madre Marie Alphonsine tinha sido relatado pelo padre Santiago Quemada no seu blog “Un sacerdote en Tierra Santa”.

Eis o relato:

A história que vamos contar aconteceu em 14 de julho de 2007. Abuna Nirwan foi visitar a sua família no Iraque e, para isso, precisou contratar um táxi. Ele mesmo relatou o caso na homilia de uma missa que celebrou em Bet Yalla. O padre Nirwan contou:
Não havia possibilidade de ir de avião para visitar a minha família. Era proibido. O meio de transporte era o carro. Meu plano era chegar a Bagdá e ir de lá para Mossul, onde viviam os meus pais.
O motorista tinha medo por causa da situação no Iraque. Uma família, formada pelo pai, a mãe e uma menininha de dois anos, pediu para viajar conosco. O taxista me falou do pedido e eu não vi nenhum inconveniente. Eram muçulmanos. O motorista era cristão. Ele disse que havia lugar no carro e que eles podiam ir conosco. Paramos num posto de combustível e outro homem jovem, muçulmano, também pediu para ir junto até Mossul. Como ainda restava um assento, ele também foi aceito.
A fronteira entre a Jordânia e o Iraque só abre quando amanhece. Quando o sol se levantou, uma fila de cinquenta ou sessenta carros foi avançando lentamente, todos juntos.
Seguimos a viagem. Depois de mais de uma hora, chegamos a um lugar onde estavam fazendo uma inspeção. Preparamos os passaportes. O motorista nos disse: “Tenho medo desse grupo”. Antes era um posto militar, mas uma organização terrorista islâmica havia matado os militares e tomado o controle do local.
Quando chegamos, eles nos pediram os passaportes sem nos fazer descer do carro. Levaram os passaportes a um escritório. A pessoa voltou, se dirigiu a mim e disse: ‘Padre, vamos continuar a investigação. Podem ir até o escritório mais à frente. Depois já é o deserto”. “Muito bem”, respondi. Caminhamos uns quinze minutos até chegar à cabana a que eles se referiam.
Quando chegamos à cabana, saíram dois homens de rosto coberto. Um deles tinha uma câmera em uma mão e um facão na outra. O outro era barbudo e estava segurando o alcorão. Chegaram até nós e um deles perguntou: “Padre, de onde está vindo?”. Respondi que vinha da Jordânia. Depois ele perguntou ao motorista.
Depois se dirigiu ao rapaz que vinha conosco, o agarrou por trás com os braços e o matou com o facão. Amarraram as minhas mãos por trás das costas e disseram:
“Estamos gravando isto para a Al-Jazeera. Quer dizer algumas palavras? Tem menos de um minuto”.
Eu respondi:
“Não, só quero rezar”.
Eles me deram um minuto para rezar.
Depois um deles me empurrou pelo ombro para baixo até eu ficar de joelhos e me disse:
“Você é clérigo. É proibido que o seu sangue caia no chão porque é sacrilégio”.
Por isso ele foi pegar um balde e voltou com ele para me degolar. Não sei o que rezei naquele momento. Senti muito medo e disse a Maria Alphonsine:
“Não pode ser por acaso que eu trago você comigo. Se é preciso que nosso Senhor me leve ainda jovem, estou pronto. Mas, se não é, eu te peço que ninguém mais morra”.
Ele pegou a minha cabeça, segurou meu ombro com força e levantou o facão. Uns instantes de silêncio e de repente ele perguntou:
“Quem é você?”
Respondi:
“Um frade”.
“E por que eu não consigo mexer o facão? Quem é você?”.
E, sem me deixar responder, prosseguiu:
“Padre, você e todos voltem para o carro”.
Fomos de volta até o veículo.
Daquele momento em diante, eu perdi o medo da morte. Sei que um dia morrerei, mas agora é mais claro que vai ser só quando Deus quiser. Desde aquele momento, eu não tenho medo de nada nem de ninguém. O que vier a me acontecer é porque é vontade de Deus e Ele vai me dar a força para acolher a Sua cruz. O importante é ter fé. Deus cuida dos que acreditam n’Ele”.

segunda-feira, 29 de maio de 2017

Publicações: Duas novas obras sobre o Patriarcado de Lisboa

Lisboa, 29 mai 2017 (Ecclesia) – O Patriarcado de Lisboa vai apresentar duas novas publicações, dia 07 de junho, no contexto da comemoração dos 300 anos da qualificação patriarcal.
As obras “Cartas Pastorais dos Patriarcas de Lisboa”, editada pela Livraria Nova Terra, e “Subsídios para a História da Igreja em Portugal”, da autoria da doutora Maria Odete Sequeira Martins e edição da Aletheia, patrocinada pelo Cabido, vão ser apresentadas, às 18:30, na sala de visitas do lado sul do Mosteiro de São Vicente de Fora, lê-se numa nota enviada à Agência ECCLESIA.
O Patriarcado de Lisboa foi criado em 1716 pela bula de Clemente XI.

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Fátima: D. António Marto pediu a intercessão de São Francisco e Santa Jacinta Marto

Fatima.pt

Primeira celebração eucarística após a canonização juntou milhares de pessoas na Cova da Iria

Fátima, 15 mai 2017 – O bispo de Leiria-Fátima pediu este domingo a intercessão dos novos “santos pastorinhos” São Francisco e Santa Jacinta Marto, numa celebração eucarística no Santuário de Fátima em que destacou a “alegria da festa” com o Papa Francisco.
“Os nossos corações ainda estão repletos da alegria da festa que celebrámos”, referiu D. António Marto, no dia seguinte à canonização dos dois irmãos e videntes de Fátima, durante a celebração do Centenário das Aparições.
O prelado viveu de perto a visita do Papa à Cova da Iria, acompanhando Francisco desde o primeiro momento, depois da sua chegada a Portugal, no dia 12 de maio à tarde.
Nestes dias, D. António Marto foi sempre uma figura próxima do Papa argentino, seguindo com ele no papamóvel, entre a enorme multidão de peregrinos que encheu o santuário, participando nas celebrações, sendo anfitrião e porta-voz das comunidades católicas portuguesas.
No final da Missa de encerramento da primeira viagem de Francisco a Portugal, D. António Marto transmitiu-lhe o “abraço e o afeto de todo o povo católico de Portugal” e enalteceu a sua “voz profética”, essencial num mundo atual “cheio de perigos e medos”.
Uma figura que tem mostrado ser “capaz de abater muros de separação, de lançar pontes de encontro entre os homens e os povos, de ser a voz dos sem voz”, salientou o bispo de Leiria-Fátima, que é também vice-presidente da Conferência Episcopal Portuguesa.
Segundo a página do Santuário de Fátima, este domingo, na Missa com os peregrinos no Santuário de Fátima, D. António Marto desafiou as pessoas a nunca deixarem de “levar a sério a dimensão da fé”, sublinhando algo que também foi destacado pelo Papa, na sua visita, a componente da atenção e do cuidado por quem sofre ou precisa de ajuda.
“Anunciar Jesus Cristo é a missão principal da Igreja, mas este anúncio fica incompleto se não for completado pelo serviço da caridade”, afirmou aquele responsável católico, reforçando ainda que a “comunhão fraterna pressupõe partilha, caridade e apoio recíproco pelo menos junto dos mais necessitados”.

sexta-feira, 28 de abril de 2017

Pastorinhos: Primeira canonização em Portugal é motivo de «alegria» - D. José Cordeiro

Pastorinhos de Fátima

Pastorinhos de Fátima

   Bispo de Bragança-Miranda diz que novos santos Francisco e Jacinta Marto ensinam «limpidez do coração»

Fátima, 28 abr 2017  – O presidente da Comissão Episcopal de Liturgia e Espiritualidade considerou como “um dom da graça de Deus” a canonização de Francisco e Jacinta Marto, a primeira de sempre em Portugal com presidência do Papa Francisco, no próximo dia 13 de maio.
“Para nós é um motivo enorme de gratidão, de alegria, de muita esperança os Pastorinhos serem apresentados como intercessores e modelos de vida cristã, de uma forma clara e assente na tradição viva da Igreja”, afirmou D. José Cordeiro.
À Agência ECCLESIA, o presidente da Comissão Episcopal de Liturgia e Espiritualidade, da Conferência Episcopal Portuguesa, acrescentou que a canonização de Francisco e Jacinta Marto traz também “muita responsabilidade”.
“É um valor acrescentado para a espiritualidade e também para a liturgia, porque o Francisco e a Jacinta, a seu modo e a seu tempo, sempre estabeleceram esta intimidade com os sacramentos e de um modo especial com a Eucaristia e fizeram dela o centro da sua vida”, desenvolveu o bispo de Bragança-Miranda.
A Missa a que o Papa Francisco vai presidir a 13 de maio, pelas 10h00 no Santuário de Fátima, inclui o rito de canonização propriamente dito, em português, no início da celebração.
Para D. José Cordeiro, os dois pastorinhos “apontam para a limpidez do coração” e para “esta amizade, de intimidade com Jesus e com Maria nas suas expressões”.
O prelado foi reconduzido como presidente da Comissão Episcopal de Liturgia e Espiritualidade na 191.ª Assembleia Plenária dos bispos portugueses, hoje em destaque na mais recente edição do Semanário ECCLESIA.

quinta-feira, 13 de abril de 2017

NOVENA DA DIVINA MISERICÓRDIA

NOVENA COMEÇA NA SEXTA-FEIRA SANTA 14-04-2017 / 23-04-2017 

 “Todas as vezes que ouvires o bater do relógio, às três horas, mergulha-te na Minha misericórdia, adorando-a e louvando-a. Implora a minha omnipotência para todo o mundo, e de modo particular para os pobres pecadores, porque, neste momento, a Misericórdia foi aberta para toda a alma. Nesta hora podes requerer tudo para ti e para os outros. Nesta hora realizou-se a graça para todo o mundo
– A Misericórdia venceu a Justiça.”

* Vós falecestes, ó Jesus, mas a fonte da vida brotou para as almas e abriu-se o oceano da Misericórdia para todo o mundo. Ó fonte da Vida, Misericórdia insondável de Deus, abraçai todo o mundo e derramai-vos sobre nós.

* Ó Sangue e Água que brotaste do Coração de Jesus como fonte de Misericórdia para nós, eu confio em Vós.

*Diz Jesus a Santa Faustina:
Começa a Novena na Sexta-feira Santa, desejo que, durante estes nove dias, conduzas as almas à fonte da Minha misericórdia, a fim de que recebam força, alívio e todas as graças de que necessitam nas dificuldades da vida e, especialmente na hora da morte. Cada dia conduzirás ao Meu Coração um grupo diferente de almas e as mergulharás nesse oceano da Minha misericórdia. Eu conduzirei todas essas almas à Casa de Meu Pai. Procederás assim nesta vida e na futura. Por Minha parte, nada negarei àquelas almas que tu conduzirás à fonte da Minha misericórdia. Cada dia pedirás a Meu Pai, pela Minha amarga Paixão, graças para essas almas.

* Graças e louvores se dêem a todo o momento
* Meu Deus eu creio, adoro, espero e amo-vos… 3X
* Santíssima Trindade, Pai, Filho, Espírito Santo, adoro-Vos profundamente e ofereço-Vos o preciosíssimo Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Nosso Jesus Cristo, presente em todos os sacrários da terra, em reparação dos ultrajes, sacrilégios e indiferenças com que Ele mesmo é ofendido. E pelos méritos infinitos do Seu Santíssimo Coração e do Coração Imaculado de Maria, peço-Vos a conversão dos pobres pecadores".

* Eterno Pai, ofereço-Vos o preciosíssimo sangue de Vosso Divino Filho Jesus, em união com todas as missas que hoje são celebradas em todo mundo. Por todas as santas almas do purgatório, pelos pecadores em todos os lugares, pelos pecadores na Igreja universal, pelos de minha casa e meus vizinhos. Ámen. 
* Alma de Cristo, santificai-me. Corpo de Cristo, salvai-me. Sangue de Cristo, inebriai-me. Água do lado de Cristo, lavai-me. Paixão de Cristo, confortai-me. Ó bom Jesus, ouvi-me. Dentro das vossas chagas escondei-me. Não permitais que me separe de Vós. Do inimigo maligno, defendei-me. Na hora da minha morte, chamai-me. E mandai-me ir para Vós, para que Vos louve com os vossos santos, por todos os séculos dos séculos. Ámen.

* Vinde Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do Vosso amor, enviai Senhor o Vosso Espírito e tudo será criado e assim renovareis a face da terra.


PRIMEIRO DIA
[Palavras de Jesus]
Hoje, traze-Me a humanidade inteira, especialmente todos os pecadores e mergulha-os no oceano da Minha misericórdia. Com isso Me consolarás na amarga tristeza em que Me afunda a perda das almas.
[Oração de Santa Faustina]
Misericordiosíssimo Jesus, de quem é próprio ter compaixão de nós e nos perdoar, não olheis os nossos pecados, mas a confiança que depositamos em Vossa infinita bondade. Acolhei-nos na mansão do vosso compassivo Coração e nunca nos deixeis sair dele. Nós vo-lo pedimos pelo amor que Vos une ao Pai e ao Espírito Santo.
Eterno Pai, olhai com misericórdia para toda humanidade, encerrada no Coração compassivo de Jesus, mas especialmente para os pobres pecadores. Pela Sua dolorosa Paixão, mostrai-nos a Vossa misericórdia, para que glorifiquemos a onipotência da Vossa misericórdia, por toda a eternidade. Amém.

quarta-feira, 22 de março de 2017

Fátima 2017: Bispo diocesano elogia dimensão global das Aparições

Foto: Arlindo Homem

Foto: Arlindo Homem

D. António Marto falou da sua relação pessoal com a mensagem revelada na Cova da Iria

Fátima, 22 mar 2017 (Ecclesia) – O bispo de Leiria-Fátima, D. António Marto, disse, esta quarta-feira, nas I Jornadas de Comunicação Social do Santuário de Fátima que o horizonte da mensagem da Cova da Iria “ultrapassa as fronteiras portuguesas”.
Ao falar sobre ‘Fátima hoje: a atualidade da mensagem de Fátima’, D. António Marto recordou que foi “cético em relação ao fenómeno”, mas converteu-se à Mensagem de Fátima.
Nos tempos de criança recebeu a imagem de Fátima, todavia na altura do maio de 68 o atual bispo de Leiria-Fátima olhava “com certo desdém para a piedade popular”, disse à Agência ECCLESIA.
A viragem deu-se quando foi convidado para fazer, na década de noventa, uma conferência no Santuário de Fátima e para se preparar teve de “ler as memórias da Irmã Lúcia”, referiu.
Gostou tanto do livro que o leu “três vezes” e encontrou as “linhas hermenêuticas” da Mensagem de Fátima, frisou D. António Marto.
Para o bispo de Leiria-Fátima, a mensagem da Cova da Iria é a “porta-voz do clamor das vítimas” das correntes filosóficas do século XX, tal como as duas guerras mundiais.
“É uma palavra profética para o nosso tempo”, salientou o responsável diocesano.
A Mensagem de Fátima é “um apelo constante” para que o peregrino abra “o seu coração” e “a graça e a misericórdia” são os conceitos que sintetizam a mensagem de Nossa Senhora de Fátima aos Pastorinhos.
A conferência do bispo de Leiria-Fátima estava integrada no painel sobre os eixos teológicos da Mensagem de Fátima nas I Jornadas de Comunicação Social do Santuário de Fátima que estão a decorrer no Centro Pastoral Paulo VI.

terça-feira, 7 de março de 2017

A Palavra é um dom. O outro é um dom

               

Mensagem do Papa Francisco para a Quaresma de 2017

Amados irmãos e irmãs!
A Quaresma é um novo começo, uma estrada que leva a um destino seguro: a Páscoa de Ressurreição, a vitória de Cristo sobre a morte. E este tempo não cessa de nos dirigir um forte convite à conversão: o cristão é chamado a voltar para Deus «de todo o coração» (Jl 2, 12), para não se contentar com uma vida medíocre, mas crescer na amizade com o Senhor. Jesus é o amigo fiel que nunca nos abandona, pois, mesmo quando pecamos, espera pacientemente pelo nosso regresso a Ele e, com esta espera, manifesta a sua vontade de perdão (cf. Homilia na Santa Missa, 8 de janeiro de 2016).
A Quaresma é o momento favorável para intensificar a vida espiritual através dos meios santos que a Igreja nos propõe: o jejum, a oração e a esmola. Na base de tudo isto está a Palavra de Deus, que somos convidados a ouvir e meditar com maior assiduidade neste tempo. Aqui gostaria de me deter, em particular, na parábola do homem rico e do pobre Lázaro (cf. Lc 16, 19-31). Deixemo-nos inspirar por esta página tão significativa, que nos dá a chave para compreender como agir para alcançarmos a verdadeira felicidade e a vida eterna, exortando-nos a uma sincera conversão.

1. O outro é um dom
A parábola começa com a apresentação dos dois personagens principais, mas quem aparece descrito de forma mais detalhada é o pobre: encontra-se numa condição desesperada e sem forças para se levantar, jaz à porta do rico e come as migalhas que caem da sua mesa, tem o corpo coberto de chagas que os cães vêm lamber (cf. vv. 20-21). Enfim, o quadro é sombrio e o homem é degradado e humilhado.
A cena revela-se ainda mais dramática, se se considera que o pobre se chama Lázaro: um nome carregado de promessas, que literalmente significa «Deus ajuda». Assim, este personagem não é anónimo, tem traços muito precisos e apresenta-se como um indivíduo a quem podemos associar uma história pessoal. Enquanto que para o rico ele é invisível, torna-se conhecido e quase familiar para nós, torna-se um rosto; e, como tal, um dom, uma riqueza inestimável, um ser querido, amado, recordado por Deus, apesar da sua condição concreta ser a duma escória humana (cf. Homilia na Santa Missa, 8 de janeiro de 2016).
Lázaro ensina-nos que o outro é um dom. A justa relação com as pessoas consiste em reconhecer com gratidão o seu valor. O próprio pobre à porta do rico não é um empecilho fastidioso, mas um apelo a converter-se e a mudar de vida. O primeiro convite que nos faz esta parábola é o de abrir a porta do nosso coração ao outro, porque cada pessoa é um dom, seja o nosso vizinho seja o pobre desconhecido. A Quaresma é um tempo propício para abrir a porta a cada necessitado e nele reconhecer o rosto de Cristo. Cada um de nós encontra-o no próprio caminho. Cada vida que vem ao nosso encontro é um dom e merece acolhimento, respeito, amor. A Palavra de Deus ajuda-nos a abrir os olhos para acolher a vida e amá-la, sobretudo quando é frágil. Mas, para se poder fazer isto, é necessário tomar a sério também aquilo que o Evangelho nos revela a propósito do homem rico.

2. O pecado cega-nos
A parábola põe em evidência, sem piedade, as contradições em que se encontra o rico (cf. v. 19). Este personagem, ao contrário do pobre Lázaro, não tem um nome, é qualificado apenas como «rico». A sua opulência manifesta-se nas roupas que usa, de um luxo exagerado. De facto, a púrpura era muito apreciada, mais do que a prata e o ouro, e por isso estava reservada para os deuses (cf. Jr 10, 9) e os reis (cf. Jz 8, 26). O linho fino era um linho especial que ajudava a conferir à posição da pessoa um caráter quase sagrado. Assim, a riqueza deste homem é excessiva, até porque era exibida todos os dias de modo habitual: «Fazia todos os dias esplêndidos banquetes» (v. 19). Entrevê-se nele, dramaticamente, a corrupção do pecado, que se realiza em três momentos sucessivos: o amor ao dinheiro, a vaidade e a soberba (cf. Homilia na Santa Missa, 20 de setembro de 2013).
O apóstolo Paulo diz que «a raiz de todos os males é a ganância do dinheiro» (1 Tm 6, 10). Esta é o motivo principal da corrupção e fonte de invejas, litígios e suspeitas. O dinheiro pode chegar a dominar-nos até ao ponto de se tornar um ídolo tirânico (cf. Exortação apostólica Evangelii gaudium, 55). Em vez de ser um instrumento ao nosso dispor para fazer o bem e exercer a solidariedade com os outros, o dinheiro pode-nos subjugar, a nós e ao mundo inteiro, numa lógica egoísta que não deixa espaço para o amor e dificulta a paz.
Depois, a parábola mostra-nos que a ganância do rico torna-o vaidoso. A sua personalidade vive de aparências, fazendo ver aos outros aquilo que se pode permitir. Mas a aparência mascara o vazio interior. A sua vida está prisioneira da exterioridade, da dimensão mais superficial e efémera da existência (cf. ibid., 62).
O degrau mais baixo desta deterioração moral é a soberba. O homem veste-se como se fosse um rei, simula a posição de um deus, esquecendo-se que é um simples mortal. Para o homem corrompido pelo amor das riquezas, nada mais existe além do próprio eu e, por isso, as pessoas que o rodeiam não entram no seu olhar. Assim, o fruto do apego ao dinheiro é uma espécie de cegueira: o rico não vê o pobre esfomeado, chagado e prostrado na sua humilhação.
Olhando este personagem, compreende-se por que motivo o Evangelho é tão claro ao condenar o amor ao dinheiro: «Ninguém pode servir a dois senhores: ou não gostará de um deles e estimará o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e ao dinheiro» (Mt 6, 24).

3. A Palavra é um dom
O Evangelho do homem rico e do pobre Lázaro ajuda-nos a prepararmo-nos bem para a Páscoa que se aproxima. A liturgia de Quarta-Feira de Cinzas convida-nos a viver uma experiência semelhante à que faz de forma tão dramática o rico. Quando impõe as cinzas sobre a cabeça, o sacerdote repete estas palavras: «Lembra-te, homem, que és pó da terra e à terra hás de voltar». De facto, tanto o rico como o pobre morrem, e a parte principal da parábola desenrola-se no além. Os dois personagens descobrem subitamente que «nada trouxemos ao mundo e nada podemos levar dele» (1 Tm 6, 7).
Também o nosso olhar se abre para o além, onde o rico tem um longo diálogo com Abraão, a quem trata por «pai» (Lc 16, 24.27), dando mostras de fazer parte do povo de Deus. Este detalhe torna ainda mais contraditória a sua vida, porque até agora nada se tinha dito da sua relação com Deus. Com efeito, na sua vida não havia lugar para Deus, sendo ele mesmo o seu único deus.
Só no meio dos tormentos do além é que o rico reconhece Lázaro e queria que o pobre aliviasse os seus sofrimentos com um pouco de água. Os gestos solicitados a Lázaro são semelhantes aos que o rico poderia ter feito, mas nunca fez. Abraão, porém, explica-lhe: «Recebeste os teus bens na vida, enquanto Lázaro recebeu somente males. Agora, ele é consolado, enquanto tu és atormentado» (v. 25). No além restabelece-se uma certa equidade e os males da vida são contrabalançados pelo bem.
A parábola continua, apresentando uma mensagem para todos os cristãos. De facto o rico, que ainda tem irmãos vivos, pede a Abraão que mande Lázaro avisá-los; mas Abraão respondeu: «Têm Moisés e os Profetas; que os oiçam» (v. 29). E face à objeção do rico acrescenta: «Se não dão ouvidos a Moisés e aos Profetas, tão-pouco se deixarão convencer, se alguém ressuscitar dentre os mortos» (v. 31).
Deste modo se manifesta o verdadeiro problema do rico: a raiz dos seus males é não escutar a Palavra de Deus; isto levou-o a deixar de amar a Deus e, consequentemente, a desprezar o próximo. A Palavra de Deus é uma força viva, capaz de suscitar a conversão no coração dos homens e de orientar de novo a pessoa para Deus. Fechar o coração ao dom de Deus que fala tem como consequência fechar o coração ao dom do irmão.
Amados irmãos e irmãs, a Quaresma é o tempo favorável para nos renovarmos no encontro com Cristo vivo na sua Palavra, nos Sacramentos e no próximo. O Senhor – que nos quarenta dias passados no deserto venceu as ciladas do Tentador – indica-nos o caminho a seguir. Que o Espírito Santo nos ajude a realizar um verdadeiro caminho de conversão, para redescobrir o dom da Palavra de Deus, ser purificados do pecado que nos cega e servir Cristo presente nos irmãos necessitados. Encorajo todos os fiéis a expressar esta renovação espiritual, participando também nas Campanhas de Quaresma que muitos organismos eclesiais, em várias partes do mundo, promovem para fazer crescer a cultura do encontro na única família humana. Rezemos uns pelos outros para que, participando na vitória de Cristo, saibamos abrir as nossas portas ao frágil e ao pobre. Então poderemos viver e testemunhar em plenitude a alegria da Páscoa.
 Vaticano, 18 de outubro de 2016, Festa do Evangelista São Lucas
 Papa Francisco

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Fátima: Beatos Francisco e Jacinta «iluminam a noite que o mundo atravessa» - D. António Marto

Fatima.pt


Bispo diocesano presidiu à Eucaristia da festa litúrgica dos pastorinhos

Fátima, 20 fev 2017 - O bispo da Diocese de Leiria-Fátima presidiu hoje à Missa da festa litúrgica dos Beatos Francisco e Jacinta Marto, na Basílica da Santíssima Trindade, e apresentou os pastorinhos como “estrelas” na “noite” da sociedade atual.
D. António Marto falou dos videntes de Fátima como “duas pequenas estrelas que brilham no céu de Portugal e do mundo, para iluminar nesta noite que o mundo atravessa, de dúvida e incerteza, no presente e no futuro”.
“A santidade simpática dos pequenos videntes é uma aprendizagem, porque as crianças também ensinam os adultos na sua simplicidade infantil”, referiu na homilia da celebração, divulgada pela página do Santuário de Fátima.
O prelado falou desta festa litúrgica como “ponto alto da celebração do Centenário das Aparições”, por ser um convite a “descobrir a beleza da santidade destas crianças”.
O bispo de Leiria-Fátima referiu que os pastorinhos são “apresentados como modelo de santidade contemporâneo no nosso quotidiano”, porque é possível “contemplar a beleza de Deus envolvidos na beleza das suas vidas”.
“O Francisco é um menino que se deixa habitar pela presença inefável de Deus, e sentiu o apelo à oração e à contemplação de Deus”, assinalou.
“À pequena Jacinta sobressai o espírito de compaixão pelos que sofrem, e o desejo de se fazer como nosso Senhor, na sua compaixão pela humanidade”, acrescentou.
No final da celebração, D. António Marto convidou as crianças ao altar, para receber uma bênção.
A Igreja celebra a 20 de fevereiro a festa litúrgica dos beatos Francisco e Jacinta Marto, dois dos três pastorinhos videntes de Nossa Senhora, em 1917; a data coincide com a morte da Beata Jacinta Marto.
festa no santuário de Fátima prossegue esta tarde com a presença de cerca de 600 crianças na Basílica da Santíssima Trindade.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Vaticano: Papa rejeita aborto e eutanásia, em defesa da «cultura da vida»

«Toda a vida é sagrada», defende Francisco

Cidade do Vaticano, 05 fev 2017 (Ecclesia) – O Papa Francisco rejeitou hoje o aborto e a eutanásia, que considerou sinais de uma cultura do "descarte” e propôs como alternativa uma “cultura da vida”, evocando o exemplo de Santa Teresa de Calcutá.
“Toda a vida é sagrada”, disse, perante milhares de pessoas reunidas na Praça de São Pedro, para a recitação do ângelus.
O Papa associou-se à jornada que é celebrada este domingo na Itália, sob o tema ‘Homens e mulheres pela vida nos passos de Santa Teresa de Calcutá’, desejando uma “corajosa ação educativa” em favor da vida humana.
“Promovamos a cultura da vida como resposta à lógica do descarte e à quebra demográfica, estejamos próximos e rezemos juntos pelas crianças que estão em perigo por causa de uma interrupção da gravidez e pelas pessoas em fim de vida”, apelou.
Francisco desejou que “ninguém seja deixado só” e que “o amor defenda o sentido da vida”.
“Lembremo-nos das palavras de Madre Teresa: A vida é beleza, admira-a; a vida é vida, defende-a”, referiu.
O Papa convidou os responsáveis pela formação das novas gerações a “construir uma sociedade acolhedora e digna para cada pessoa”.
“Tanto a criança que está a nascer como a pessoa que está a morrer: toda a vida é sagrada”, insistiu.
Antes, na catequese dominical, Francisco desafiou os católicos a ser “luz e sal” nos seus ambientes de vida, para “regenerar a realidade humana no espírito do Evangelho e na perspetiva do Reino de Deus”.
No final do encontro de oração, o Papa saudou os vários grupos presentes, incluindo estudantes de Penafiel.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Igreja/Estado: Liberdade Religiosa implica respeito pela «presença social» das Igrejas

DR


Lisboa, 20 jan 2017 (Ecclesia) - O presidente da Comissão da Liberdade Religiosa (CLR), José Vera Jardim, disse à Agência ECCLESIA que o respeito por este “direito fundamental” se estende ao reconhecimento do “papel social” das várias Igrejas.
Presidente da Comissão da Liberdade Religiosa diz não ter «nada contra» a existência da Concordata

“Nós temos o princípio da cooperação entre o Estado e as Igrejas. Elas estão no mundo social, quer queiramos, quer não, e o problema da liberdade religiosa não é um problema do foro interno de cada um: é também um problema de presença social das Igrejas”, assinala o antigo ministro da Justiça, em entrevista publicada hoje na mais recente edição do Semanário ECCLESIA.
O presidente da CLR em Portugal, que tomou posse em setembro de 2016, rejeita qualquer “agenda laicista” e considera que a existência de uma Concordata com a Santa Sé não belisca o princípio de igualdade entre as religiões, aos olhos do Estado.
Vera Jardim reafirma que a sua preferência, “título pessoal”, é que tivesse havido uma lei para todos e depois se fizessem “acordos” com a Igreja Católica sobre várias matérias, mas diz que tendo sido tomada outra decisão, por parte do Governo português, “agora não se trata de revogar a Concordata”.
“Eu não tenho nada contra a existência da Concordata e a prova é que estive na cerimónia (18.05.2004), em visita a sua santidade o Papa [João Paulo II], na altura com o senhor primeiro-ministro, Durão Barroso, aquando da assinatura da Concordata”, precisa.
O responsável admite ainda que gostaria de ver as várias Igrejas a recorrer à consignação fiscal prevista pela lei, em vez da isenção do IVA, distinguindo esta situação da isenção do IMI sobre edifícios com fins religiosos, algo que “existe em toda a Europa”.
O presidente da CLR afirma depois que esta não é uma “comissão de defesa das confissões minoritárias”.
“Quando achamos que há restrições à liberdade religiosa, seja de que religião for, incluindo a Igreja Católica, temos o dever de atuar, é assim que eu entendo a missão da Comissão da Liberdade Religiosa”, explica.
Num momento em que chegam à Europa migrantes e refugiados de diversas proveniências, Vera Jardim sublinha que para “integrar bem” é preciso manter um clima de “convivência religiosa saudável, com tolerância, mútuo respeito”.
O presidente da CLR elogia a presença, na televisão e na rádio pública em Portugal, das várias religiões na televisão pública, através do programa ‘Fé dos Homens’, como forma de promover “o contacto, o diálogo” e de combater o “ódio” que nasce do desconhecimento.
“O que temos de fazer é o nosso trabalho, de respeito mútuo, de tolerância, de compreensão do outro, para lutar contra o medo e o ódio”, conclui.
A entrevista a Vera Jardim pode ser lida na integra na nova edição do Semanário ECCLESIA, que destaca o tema da liberdade religiosa em Portugal.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Vaticano: Papa alerta para «orfandade espiritual» que atinge humanidade

Foto: Lusa

Foto: Lusa

Francisco presidiu a Missa do Dia Mundial da Paz, solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus

Cidade do Vaticano, 01 jan 2017 (Ecclesia) – O Papa Francisco denunciou hoje no Vaticano a “orfandade espiritual” que afeta a humanidade, no dia em que presidiu à Missa da solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus, Dia Mundial da Paz.
“Começar o ano lembrando a bondade de Deus no rosto materno de Maria, no rosto materno da Igreja, nos rostos das nossas mães, protege-nos daquela doença corrosiva que é a ‘orfandade espiritual’: a orfandade que a alma vive quando se sente sem mãe e lhe falta a ternura de Deus”, disse, na homilia da celebração que decorreu na Basílica de São Pedro.
No primeiro dia de 2017, Francisco sustentou que esta orfandade apaga “o sentido de pertença” e de “casa comum”.
“Tal atitude de orfandade espiritual é um cancro que silenciosamente enfraquece e degrada a alma. E assim, pouco a pouco, nos vamos degradando, já que ninguém nos pertence e nós não pertencemos a ninguém”, prosseguiu.
Esta “perda dos laços” é considerada pelo Papa como uma consequência da atual “cultura fragmentada e desunida”, levando a uma sensação de “grande vazio e solidão”.
“A orfandade espiritual faz-nos perder a memória do que significa ser filhos, ser netos, ser pais, ser avós, ser amigos, ser crentes; faz-nos perder a memória do valor da diversão, do canto, do riso, do repouso, da gratuidade”, precisou.
A intervenção sublinhou a importância da pertença a uma família e uma comunidade para aprender a crescer “humanamente” e não como “meros objetos destinados a consumir e ser consumidos
“Celebrar a festa da Santa Mãe de Deus lembra-nos que não somos mercadoria de troca nem terminais recetores de informação. Somos filhos, somos família, somos povo de Deus”, prosseguiu o Papa.
No final da homilia, Francisco convidou os presentes a unir-se numa aclamação conjunta da Virgem Maria como “Santa Mãe de Deus”.
Mais tarde, na recitação do ângelus, o Papa falou da visita dos pastores a Belém, para ver o Menino Jesus, sublinhando que Deus se manifesta “na presença destas pessoas humildes e pobres”.
“Enquanto contemplamos, como os pastores, o ícone do Menino nos braços da sua Mãe, sentimos crescer no nosso coração um sentimento de imenso reconhecimento para com aquela que deu ao mundo o Salvador”, acrescentou, antes de recitar uma oração à Virgem Maria.
“Obrigado, Santa Mãe do Filho de Deus, Jesus! Reza por nós, peregrinos no tempo, ajuda-nos a caminhar pela estrada da paz”, rezou.

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